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sexta-feira, 4 de abril de 2014
Estupro: onde mora o perigo?
A recente pesquisa divulgada pelo IPEA “Estupro no Brasil: uma radiografia da violência” teve um papel pedagógico nas discussões públicas sobre o tema da violência sexual no Brasil. Trouxe para luz do dia a obtusidade agressiva e animalesca que se esconde nos porões da consciência individual de muita gente. Detectou concepções que revelam completa incapacidade de alguns para viver em sociedades, seja qual for seu grau de educação formal.
Um dado importante da pesquisa, dentre outros igualmente fundamentais para entender ou estimar em que ponto está a percepção do brasileiro sobre as condições de violência contra mulher, diz respeito à ideia de que a culpa pela violência sexual sofrida pela mulher reside nela mesma, em particular pelo modo como se veste.
Ao serem perguntados se mulheres que usam roupa mostrando o corpo merecem ser atacadas, nada menos que 65,1% dos entrevistados afirmaram que sim, concordavam total ou parcialmente com a afirmação. Mais ainda. Para 58,2% dos pesquisados, se a mulher soubesse se comportar, haveria menos estupros.
Os números ganharam repercussão nas redes sociais e um movimento #NãoMereçoSerEstuprada iniciado pela jornalista Nana Queiroz ajudou a disseminar o debate, nem sempre com opiniões razoáveis. Segundo Nana, “amanheci de uma noite conturbada. Acreditei na pesquisa do Ipea e experimentei na pele sua fúria. Homens me escreveram ameaçando me estuprar se me encontrassem na rua, mulheres escreveram desejando que eu fosse estuprada”. Nana, no entanto, ganhou reforço de peso na sua luta corajosa. A presidenta Dilma Roussef usou seu twitter para apoiá-la. E mais recentemente personagens como Daniela Mercury emprestaram sua imagem em um nítido apoio ao movimento.
Ao mesmo tempo em que a pesquisa do IPEA ganhou tanta repercussão, uma nota técnica também do instituto, e que infelizmente não ganhou a mesma visibilidade, divulga números essenciais para evidenciar que a percepção da culpabilidade feminina pela agressão sexual sofrida é apenas isso, uma percepção, e está anos luz da brutal realidade, em termos de violência sexual, de fato vivenciada pelas mulheres. O submundo de abusos mostrado por essa nota é bem mais alarmante.
O estudo foi produzido a partir dos dados do Sinan (Sistema de Agravos de Notificação) [dá para gerar os relatório aqui] base gerenciada pelo Departamento de análise de Situação de Saúde, vinculado ao Ministério da Saúde. Em 2011, as notificações tratando de violência doméstica e sexual foram incorporadas ao sistema. Apoiando-se nelas, os pesquisadores debruçaram-se para trazer à tona um diagnóstico que foge do senso comum sobre a violência sexual praticada contra a mulher.
Como já esperado, a quase totalidade das vítimas de abusos sexuais é mulher, sendo 88,5%. Entretanto, um dado valioso, diz respeito à faixa etária. Nada menos que metade das vítimas são crianças até 13 anos de idade. Se somados com jovens e adolescentes de 14 a 17 anos (19,4% do total) crianças e adolescentes perfazem o total de pouco mais de 70% das vítimas. Bem, o que não surpreende é que quase 100% dos agressores sejam homens.
Se 70% dos agredidos são crianças, jovens e adolescentes, cabe uma questão. Onde essa violência ocorre? Se você fez essa pergunta, provavelmente já tem a resposta. É no lar. Dentro de casa. São 79% dos casos entre crianças; 67%, entre adolescentes e 65% dos casos entre adultos. E se você chegou até aqui, saiba que poderá se assustar um pouco mais. Entre crianças, apenas 12,6% dos casos de violência são praticados por desconhecidos. Isso mesmo. Os atos de violência sexual praticados contra criança acontecem na inviolabilidade do lar, por pessoas conhecidas ou muito próximas das vítimas. Os números se distribuem do seguinte modo: em 11,8% dos casos, o agressor é o pai; 12,3%, o padrasto; 7,1%, namorado; por fim, 32,2% amigo.
Ou seja, o perigo não mora ao lado mas, literalmente, dentro de casa. Se somados, parentes, amigos e conhecidos são 63,4% dos agressores de crianças. Não custa lembrar, metade das vítimas.
Naturalmente, não se pode dizer que crianças se vistam de um modo provocativo ou tenham comportamento sedutor a tal ponto que leve as pessoas mais próximas a elas a distúrbios emocionais que resultem em um impulso para a prática de violência sexual. Tudo isso se torna estarrecedor, porque essas vítimas podem sofrer violência durante anos a fio, sem a possibilidade de manifestação do seu martírio.
Isso significa que a resposta positiva dos brasileiros sobre roupas ou comportamentos como determinantes do estupro está calcada numa terrível ignorância que, se por um lado esconde a realidade tal como é, também serve de conveniente sonífero. Sua função é evitar que nossa sociedade se depare com uma visão terrível: há um mundo de mutilação física e psicológica acontecendo debaixo de nossos tetos, envolvendo maridos, ex-maridos, amantes, amigos, conhecidos, e não sabemos absolutamente o que fazer. Parodiando Zé Geraldo, tudo isso acontecendo e a gente aqui na praça dando milho aos pombos.
O estudo conclui com outro dado igualmente assustador. Estima-se que mais de meio milhão de pessoas são estupradas no Brasil anualmente. Dessas, apenas 10% dos casos chegam à polícia. As razões para isso devem ser evidentes, dado que o aparato policial não está preparado para lidar de forma humana com essas mulheres. Os números desse estudo deveriam ser mais aprofundados e deveriam articular entes públicos e a sociedade para enfrentar e quebrar, de forma corajosa, esse pacto de silêncio que insiste em vitimizar todos nós.
–
Retirado de: http://www.cartacapital.com.br/blogs/outras-palavras/estupro-onde-mora-o-perigo-6452.html
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Sou homem...
"Sou
homem. Quando nasci, meu avô parabenizou meu pai por ter tido um filho
homem. E agradeceu à minha mãe por ter dado ao meu pai um filho homem.
Recebi o nome do meu avô. Quando eu era criança, eu podia brincar de
LEGO, porque "Lego é coisa de menino", e isso fez com que minha
criatividade e capacidade de resolver problemas fossem estimuladas.
Ganhei lava-jatos e postos de gasolina montáveis da HotWheels. Também
ganhei uma caixa de ferramentas de plástico, para montar e desmontar
carrinhos e caminhões. Isso também estimulava minha criatividade e
desenvolvia meu raciocínio, o que é bom para toda criança. Na minha
época de escola, as meninas usavam saias e meus amigos levantavam suas
saias. Dava uma confusão! E então elas foram proibidas de usar saias.
Mas eu nunca vi nenhum menino sendo realmente punido por fazer isso,
afinal de contas "Homem é assim mesmo! Puxou o pai esse danadinho" - era
o que eu ouvia. Em casa, com meus primos, eu gostava de brincar de
casinha com uma priminha. Nós tínhamos por volta de 8 anos. Eu era o
papai, ela era a mamãe e as bonecas eram nossas filhinhas. Na
brincadeira, quando eu carregava a boneca no colo, minha mãe não
deixava: "Larga a boneca, Juninho, é coisa de menina". E o pai da minha
priminha, quando via que estávamos brincando juntos, de casinha, não
deixava. Dizia que menino tem que brincar com menino e menina com
menina, porque "menino é muito estúpido e, principalmente, pra frente".
Eu não me achava estúpido e também não entendia o que ele queria dizer
com "pra frente", mas obedecia. No natal, minha irmã ganhou uma Barbie e
eu uma beyblade. Ela chorou um pouco porque o meu brinquedo era muito
mais legal que o dela, mas mamãe todo ano repetia a gafe e comprava para
ela uma boneca, um fogãozinho, uma geladeira cor-de-rosa, uma
batedeira, um ferro de passar. Quando fiz 15 anos e comecei a namorar,
meu pai me comprou algumas camisinhas. Na adolescência, ninguém me
criticava quando eu ficava com várias meninas. Atualmente continua
assim. Meu pai não briga comigo quando passo a noite fora. Não fica
dizendo que tenho que ser um "rapaz de família". Ele nunca me deu um
tapa na cara desconfiado de que passei a noite em um motel. Ninguém fica
me dando sermão dizendo que eu tenho que ser reservado e me fazer de
difícil. Ninguém me julga mal quando quero ficar com uma mulher e tomo a
iniciativa. Ninguém fica regulando minhas roupas, dizendo que eu tenho
que me cuidar. Ninguém fica repetindo que eu tenho que me cuidar porque
"mulher só pensa em sexo". Ninguém acha que minhas namoradas só estavam
comigo para conseguir sexo. Ninguém pensa que, ao transar, estou me
submetendo à vontade da minha parceira. Ninguém demoniza meus orgasmos.
Nunca fui julgado por carregar camisinha na mochila e na carteira. Nunca
tive que esconder minhas camisinhas dos meus pais. Nunca me disseram
para me casar virgem por ser homem. Nunca ficaram repetindo para mim que
"Homem tem que se valorizar" ou "se dar ao respeito". Aparentemente,
meu sexo já faz com que eu tenha respeito. Quando saio na rua ninguém me
chama de "delícia". Nenhuma desconhecida enche a boca e me chama de
“gostoso” de forma agressiva. Eu posso andar na rua tomando um sorvete
tranquilamente, porque sei que não vou ouvir nada como “Larga esse
sorvete e vem me chupar”. Eu posso até andar na rua comendo uma banana.
Nunca tive que atravessar a rua, mesmo que lá estivesse batendo um sol
infernal, para desviar de um grupo de mulheres num bar, que
provavelmente vão me cantar quando eu passar, me deixando envergonhado.
Nunca tive que fazer caminhada de moletom porque meu short deixa minhas
pernas de fora e isso pode ser perigoso. Nunca ouvi alguém me chamando
de “Desavergonhado” porque saí sem camisa. Ninguém tenta regular minhas
roupas de malhar. Ninguém tenta regular minhas roupas. Eu nunca fui
seguido por uma mulher em um carro enquanto voltava para casa a pé. Eu
posso pegar o metrô lotado todos os dias com a certeza que nenhuma
mulher vai ficar se esfregando em mim, para filmar e lançar depois em
algum site de putaria. Nunca precisaram criar vagões exclusivamente para
homens em nenhuma cidade que conheço. Nunca ouvi falar que alguém do
meu sexo foi estuprado por uma multidão. Eu posso pegar ônibus sozinho
de madrugada. Quando não estou carregando nada de valor, não continuo
com medo pelo risco ser estuprado a qualquer momento, em qualquer
esquina. Esse risco não existe na cabeça das pessoas do meu sexo. Quando
saio à noite, posso usar a roupa que quiser. Se eu sofrer algum tipo de
violência, ninguém me culpa porque eu estava bêbado ou por causa das
minhas roupas. Se, algum dia, eu fosse estuprado, ninguém iria dizer que
a culpa era minha, que eu estava em um lugar inadequado, que eu estava
com a roupa indecente. Ninguém tentaria justificar o ato do estuprador
com base no meu comportamento. Eu serei tratado como VÍTIMA e só.
Ninguém me acha vulgar quando faz frio e meu “farol” fica “aceso”.
Quando transo com uma mulher logo no primeiro encontro sou praticamente
aplaudido de pé. Ninguém me chama de “vagabundo”, “fácil”, “puto” ou
“vadio” por fazer sexo casual às vezes. 99% dos sites de pornografia são
feitos para agradar a mim e aos homens em geral. Ninguém fica chocado
quando eu digo que assisto pornôs. Ninguém nunca vai me julgar se eu
disser que adoro sexo. Ninguém nunca vai me julgar se me ver lendo
literatura erótica. Ninguém fica chocado se eu disser que me masturbo.
Nenhuma sogra vai dizer para a filha não se casar comigo porque não sou
virgem. Ninguém me critica por investir na minha vida profissional.
Quando ocupo o mesmo cargo que uma mulher em uma empresa, meu salário
nunca é menor que o dela. Se sou promovido, ninguém faz fofoca dizendo
que dormi com minha chefe. As pessoas acreditam no meu mérito. Se tenho
que viajar a trabalho e deixar meus filhos apenas com a mãe por alguns
dias, ninguém me chama de irresponsável. Ninguém acha anormal se, aos 30
anos, eu ainda não tiver filhos. Ninguém palpita sobre minha orientação
sexual por causa do tamanho do meu cabelo. Quando meus cabelos
começarem a ficar grisalhos, vão achar sexy e ninguém vai me chamar de
desleixado. A sociedade não encara minha virgindade como um troféu. 90%
das vagas do serviço militar são destinadas às pessoas do meu sexo.
Mesmo quando se trata de cargos de alto escalão, em que o oficial só
mexe com papelada e gerência. Se eu sair com uma determinada roupa
ninguém vai dizer “Esse aí tá pedindo”. Se eu estiver em um baile funk e
uma mulher fizer sexo oral em mim, não sou eu quem sou ofendido.
Ninguém me chama de "vagabundo" e nem diz "depois fica postando frases
de amor no Facebook". Se vazar um vídeo em que eu esteja transando com
uma mulher em público, ninguém vai me xingar, criticar, apedrejar. Não
serei o piranha, o vadio, o sem valor, o vagabundo, o cachorro. Estarei
apenas sendo homem. Cumprindo meu papel de macho alpha perante a
sociedade. Se eu levar uma vida putona, mas depois me apaixonar por uma
mulher só, as pessoas acham lindo. Ninguém me julga pelo meu passado.
Ninguém diz que é falta de higiene se eu não me depilar. Ninguém me
julgaria por ser pai solteiro. Pelo contrário, eu seria visto como um
herói. Nunca serei proibido de ocupar um cargo alto na Igreja Católica
por ser homem. Nunca apanhei por ser homem. Nunca fui obrigado a cuidar
das tarefas da casa por ser homem. Nunca me obrigaram a aprender a
cozinhar por ser homem. Ninguém diz que meu lugar é na cozinha por ser
homem. Ninguém diz que não posso falar palavrão por ser homem. Ninguém
diz que não posso beber por ser homem. Ninguém olha feio para o meu
prato se eu colocar muita comida. Ninguém justifica meu mau humor
falando dos meus hormônios. Nunca fizeram piadas que subjugam minha
inteligência por ser homem. Quando cometo alguma gafe no trânsito
ninguém diz “Tinha que ser homem mesmo!” Quando sou simpático com uma
mulher, ela não deduz que “estou dando mole”. Se eu fizer uma tatuagem,
ninguém vai dizer que sou um “puto”. Ninguém acha que meu corpo serve
exclusivamente para dar prazer ao sexo oposto. Ninguém acha que terei de
ser submisso a uma futura esposa. Nunca fui julgado por beber cerveja
em uma roda onde eu era o único homem. Nunca me encaixo como
público-alvo nas propagandas de produtos de limpeza. Sempre me encaixo
como público-alvo nas propagandas de cerveja. Nunca me perguntaram se
minha namorada me deixa cortar o cabelo. Eu corto quando quero e as
pessoas entendem isso. Não há um trote na USP que promove minha
humilhação e objetificação. A sociedade não separa as pessoas do meu
sexo em “para casar” e “para putaria”. Quando eu digo “Não” ninguém acha
que estou fazendo charme. Não é não. Não preciso regrar minhas roupas
para evitar que uma mulher peque ou caia em tentação. As pessoas do meu
sexo não foram estupradas a cada 40 minutos em SP no ano passado. As
pessoas do meu sexo não são estupradas a cada 12 segundos no Brasil. As
pessoas do meu sexo não são estupradas por uma multidão nas
manifestações do Egito. Não sou homem. Mas, se você é, é fundamental
admitir que a sociedade INTEIRA precisa do Feminismo. Não minimize uma
dor que você não conhece."
Autor Desconhecido
PS. Acho que é importante grifar que o texto se refere a um homem heterossexual. Não ao homossexual, não ao trans.
E ainda tem gente que acha feminismo um exagero...
Autor Desconhecido
PS. Acho que é importante grifar que o texto se refere a um homem heterossexual. Não ao homossexual, não ao trans.
E ainda tem gente que acha feminismo um exagero...
sexta-feira, 8 de março de 2013
Mais um 8 de março
No dia de hoje, há muito para se comemorar, mas ainda muito pelo que lutar!
Parabéns pelas conquistas de outras mulheres de outros tempos, graças a
elas podemos trabalhar, votar, beber, falar palavrão, morar sozinha,
fazer faculdade, virar presidente e dar pra quem quiser!
Mas ainda temos muito pra conquistar, muitas cabeças ocas de mentes fechadas para abrir e mostrar que piadinhas forno-fogão não tem graça, que violência não se justifica nunca, e que uma cantada não vai deixar o meu dia melhor!
Mas ainda temos muito pra conquistar, muitas cabeças ocas de mentes fechadas para abrir e mostrar que piadinhas forno-fogão não tem graça, que violência não se justifica nunca, e que uma cantada não vai deixar o meu dia melhor!
Vivemos num país que idolatra nudez feminina no carnaval, mas joga palavras de violência e incentivo ao estupro para mulheres vão participar da pedalada pelada, da marcha das vadias ou que vai de roupa curta para a aula.
Um pais onde uma mulher é estuprada a cada 12 segundos.
Um país que está na 7ª posição no Ranking mundial de violência contra a mulher.
Um país onde as mulheres ganham em média 30% menos que os homens, mesmo com mais instrução.
Muitas mulheres receberão flores hoje. Mulheres, façam o favor de lembrar a quem presenteia, que o dia de hoje é uma homenagem para uma tragédia de muitos anos atrás. Mulheres operárias trancadas numa fábrica, para trabalharem mais, mais e mais. As portas trancadas pelos patrões, foram responsáveis pela morte de trocentas operárias. As manifestações, além de uma homenagem, são uma comemoração às
conquistas femininas em vários âmbitos da sociedade, e uma lembrança que muito
ainda deve ser feito.
Um pouco de história
Há mais de uma versão para a origem do Dia Internacional da Mulher, mas
todas remetem a greves de trabalhadoras de fábricas têxteis desde a
Revolução Industrial, no século 19. Em 8 de março de 1857, tecelãs de
Nova York realizaram uma marcha por melhores condições de trabalho,
diminuição da carga horária e igualdade de direitos. Na época, a jornada
de trabalho feminino chegava a 16 horas diárias, com salários até 60%
menores que os dos homens.
Além disso, muitas sofriam agressões físicas e sexuais. Uma das
versões do desfecho da marcha é a de que as manifestantes teriam sido
trancadas na fábrica pelos patrões, que atearam fogo no local, matando
cerca de 130 mulheres. O fim mais aceito, porém, é o da interrupção da
passeata pela polícia, que dispersou a multidão com violência. A versão
do incêndio é, provavelmente, uma confusão com a tragédia da fábrica
Triangle Shirtwaist Company, em 25 de março de 1911. O fogo matou mais
de 150 mulheres, com idades entre 13 e 25 anos, na maioria imigrantes
italianas e judias.
A falta de medidas de segurança do local - as portas teriam sido
trancadas para evitar a saída das empregadas - foi apontada como o
motivo do alto número de mortes. O episódio foi um marco na história do
trabalho operário americano. Vários protestos se seguiram nos 8 de março
seguintes. Um dos mais notáveis - também reprimido pela polícia -
ocorreu em 1908, quando 15 mil operárias protestaram por seus direitos.
Em 1910, na Segunda Conferência Internacional das Mulheres
Socialistas, na Dinamarca, a alemã Clara Zetkin propôs que a data fosse
usada para comemorar as greves americanas e homenagear mulheres de todo o
mundo. A greve das trabalhadoras de Petrogrado (atual São Petersburgo),
na Rússia, em 23 de fevereiro de 1917 (8 de março no calendário
ocidental), também foi um marco da data. Hoje, ela é símbolo da luta
pelos direitos da mulher, e foi oficializada pela Unesco em 1977.
Fonte: Taddeo, Luciana. Dia internacional de mulher: por que essa data é comemorada no dia 8 de março? Disponível em:
Para saber mais...
Waiselfisz, Julio Jacobo (Coord.). Atualização: Homicídio de mulheres no Brasil. São Paulo: Flacso/CEBELA, 2012. (Mapa da violência 2012). Disponível em: <http://mapadaviolencia.org.br/mapa2012_mulheres.php>. Acesso em: 08 mar. 2013.
A CADA 12 segundos, uma mulher é estuprada no Brasil. Disponível em: <http://www.juspodivm.com.br/noticias/noticias_1410.html>. Acesso em: 08 mar. 2013.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
A queda do tatu-cola
O que me deixa mais triste, não é a policia dando porrada nos manifestantes, não é a copa, as privatizações, o vandalismo, nada disso. O que acaba comigo, são as críticas de quem não estava lá, e não entende a gravidade do que está acontecendo!
Não é "coisa de desocupado", é o povo se manifestando e defendendo a democracia!
Vi tantos comentários dizendo que a galera merecia apanhar, e isso me da muito medo!
A democracia está a perigo. A liberdade está a perigo. A cultura está a perigo.
Não me surpreenderia se qualquer dia desses vier um AI 6 por ai...

Pra saber mais, leia a matéria do Sul 21, foi o relato mais coerente que achei.
Precisa espancar a galera? Pra defender um boneco de plastico sem nome, que representa uma copa do mundo que grande parte da população nao quer? Ele representa interesses privados, e a repressão dos espaços publicos de cultura. Policiais mal preparados, que interpretam gritos de alegria e insatisfação como afronta a ordem publica. Pelo que sei, a policia atacou os manifestantes primeiro. E usou gas, balas de borracha e muita porrada contra cartazes e balões coloridos.
Muitos foram presos, mas nesse período eleitoral, ninguém pode ser preso! Porto Alegre cada vez mais careta e repressora! Mas o povo não se cala! Jamais!
Não é "coisa de desocupado", é o povo se manifestando e defendendo a democracia!
Vi tantos comentários dizendo que a galera merecia apanhar, e isso me da muito medo!
A democracia está a perigo. A liberdade está a perigo. A cultura está a perigo.
Não me surpreenderia se qualquer dia desses vier um AI 6 por ai...
Pra saber mais, leia a matéria do Sul 21, foi o relato mais coerente que achei.
Precisa espancar a galera? Pra defender um boneco de plastico sem nome, que representa uma copa do mundo que grande parte da população nao quer? Ele representa interesses privados, e a repressão dos espaços publicos de cultura. Policiais mal preparados, que interpretam gritos de alegria e insatisfação como afronta a ordem publica. Pelo que sei, a policia atacou os manifestantes primeiro. E usou gas, balas de borracha e muita porrada contra cartazes e balões coloridos.
Muitos foram presos, mas nesse período eleitoral, ninguém pode ser preso! Porto Alegre cada vez mais careta e repressora! Mas o povo não se cala! Jamais!
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Legalizar o Aborto
Hoje, no Brasil o STF discute a possibilidade de legalizar o aborto em casos de anencefalia. Sou da opinião que não apenas nesse caso, mas também em caso de estupro, risco para a mãe, e falta de estrutura financeira e psicológica, a mulher possa optar. Não é função do Estado julgar o que faço com meu corpo, ainda mais com base em argumentos religiosos. Nenhum religioso moralista vai criar essa criança, então não deve opinar.
Por Túlio Vianna
Meu corpo, minha escolha!
E mais, que tanto homens decidem sobre o corpo feminino? OS pastores, OS padres, OS ministros... E as mulheres, onde estão?
Tenho certeza que toda mulher conheçe alguém que já fez aborto. É uma prática tão antiga quanto o ser humano, não vai ser banida de um dia para o outro.
O mundo está evoluindo, que tal evoluir as mentes também?
Meu corpo. Eu decido.
***Em tempo, foi aprovado por 8 x 2. À passos de formiga caminha esse meu país, mas ainda caminha!
***Em tempo, foi aprovado por 8 x 2. À passos de formiga caminha esse meu país, mas ainda caminha!
Abaixo um texto publicado na revista Fórum, muito esclarecedor sobre o assunto.
Legalizar o Aborto
Em 28 de setembro, mulheres de toda a América Latina saem às ruas para lutar por um direito que já é garantido há tempos às européias, estadunidenses e canadenses: o direito de interromper uma gravidez indesejada. É o Dia pela Descriminalização do Aborto na América Latina e Caribe.
Por Túlio Vianna
O aborto não é crime na maioria esmagadora dos países desenvolvidos. Nos Estados Unidos, no Canadá e na Europa, se uma mulher desejar interromper uma gravidez por questões socioeconômicas, poderá fazê-lo sem maiores riscos para sua saúde em um hospital, de forma plenamente legal.
No Brasil, o aborto é tratado como crime e tanto a mulher que o praticar, como quem de qualquer forma auxiliá-la, poderão ser presos. Os rigores da legislação brasileira, porém, não impedem que os abortos sejam realizados clandestinamente. A Pesquisa Nacional do Aborto, publicada pela Universidade de Brasília (UNB) este ano, estimou que 1 em cada 5 mulheres brasileiras já realizaram aborto, sendo que metade delas foram internadas devido a complicações causadas pelo procedimento.
Uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) constatou que, entre 1995 e 2007, a curetagem pós-aborto foi a cirurgia mais realizada no Sistema Único de Saúde (não foram levadas em conta cirurgias cardíacas, partos e pequenas intervenções que não exigem a internação do paciente). Foram 3,1 milhões de curetagens e estima-se que a maioria delas sejam decorrentes de abortos provocados.
Por que então não garantir às brasileiras o mesmo direito ao aborto já garantido às norte-americanas e europeias e evitar tantos riscos desnecessários à sua saúde?
Direito à vida
O argumento central de quem é contrário à legalização do aborto é que a vida humana surge no momento da concepção e que, a partir de então, este seria um direito a se garantir ao embrião. Claro que esta é uma concepção de cunho exclusivamente religioso.
Cientificamente, não é possível se determinar ao certo quando começa a vida humana. Nas 12 primeiras semanas de gestação (período em que o aborto é permitido, na maioria dos países onde é legalizado), o feto ainda não desenvolveu seu sistema nervoso e para considerá-lo vivo neste estágio, seria preciso rever o próprio conceito jurídico de morte. Isso porque a lei 9.434/97 permite o transplante de órgãos desde que haja morte cerebral, ainda que, eventualmente, o coração continue a bater. E, se é a morte cerebral que indica o fim da vida, é razoável entender que o início da vida humana surge com a “vida cerebral”, o que seria impossível nas primeiras 12 semanas, antes da formação do sistema nervoso do feto.
No entanto, o conceito de vida defendido pelos opositores da legalização do aborto parece ser bem mais amplo do que qualquer um que possa ser estabelecido por critérios científicos. A ponto de abarcar, inclusive, fetos sem cérebros, como se vê por algumas das teses defendidas na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 54, que tramita no Supremo Tribunal Federal desde 2004 e trata da interrupção de gravidez nos casos de anencefalia do feto. Já passados 6 anos, ainda não houve tempo suficiente para que o STF concluísse o óbvio ululante: sem cérebro, não há vida humana a ser protegida, então não há crime de aborto.
Infelizmente, o debate sobre o aborto no Brasil não se faz com base em constatações científicas ou jurídicas. O aborto é discutido no Brasil com base em dogmas religiosos, como os do arcebispo de Olinda e Recife Dom José Cardoso Sobrinho, que excomungou os médicos e os parentes de uma menina de 9 anos de idade que foi estuprada por seu padrasto e precisou realizar um aborto para se livrar de uma gravidez de gêmeos que lhe causava risco de morte. Detalhe: o padrasto que estuprou a menina não foi excomungado por Sua Excelência Reverendíssima, que considerou este crime menos grave que o aborto.
É preciso entender, porém, que o Brasil é uma república laica e, portanto, não se pode admitir que qualquer religião imponha seus dogmas aos demais, muito menos por meio de criminalizações.
Questão social
A legalização do aborto é uma questão de saúde pública que atinge quase que exclusivamente as mulheres pobres, que não têm condições financeiras de arcar com o alto custo de um aborto em alguma das maternidades de luxo que realizam a cirurgia ilegalmente. Para uma mulher rica que tenha uma gravidez indesejável, a solução – ainda que ilícita – é recorrer a uma boa maternidade onde conversando com a pessoa certa e pagando o preço necessário poderá abortar com toda a infraestrutura e higiene de um bom hospital.
Ainda que não optem pelo procedimento cirúrgico, as mulheres de melhor condição socioeconômica têm um acesso muito mais amplo a informações sobre como realizar o auto-aborto de forma relativamente segura. Há vários sites internacionais dedicados a esclarecer às mulheres dos países onde o aborto ainda é proibido como utilizar medicamentos para este fim. No International Consortium for Medical Abortion , por exemplo, há informações de como usar o remédio Cytotec (Misoprostol) em conjunto com o Mifiprex (Mifepristone), de forma a tornar o procedimento um pouco mais seguro e menos doloroso.
Para a maioria das mulheres brasileiras, porém, este tipo de informação ainda não é acessível e elas acabam adquirindo o Cytotec no mercado paralelo e “aprendendo” como usá-lo com o próprio vendedor que, em geral, não possui qualquer conhecimento médico. Sem informação, utilizam o Cytotec sem qualquer outro medicamento, obrigando a uma dosagem maior, diminuindo as chances de sucesso e tornando todo o procedimento mais arriscado e doloroso. Por se tratar de um comércio ilegal, sem qualquer tipo de controle por parte da Anvisa, há ainda o sério risco de adquirir um produto falsificado.
Outra significativa parcela de mulheres pobres opta por realizar o aborto por procedimentos de curetagem ou sucção em clínicas clandestinas, sem as mínimas condições de higiene e infraestrutura. São procedimentos bastante arriscados para a vida e saúde delas e muitas acabam sendo socorridas nos hospitais do SUS, após abortos mal sucedidos. As complicações não raras vezes levam à morte, sendo o aborto a terceira causa de morte materna no Brasil, segundo pesquisa do IPAS.
Legalização
A criminalização do aborto não evita o aborto, mas tão-somente obriga a mulher a realizá-lo na clandestinidade. As ricas pagando um alto preço pelo sigilo e segurança do procedimento e as pobres relegadas à própria sorte, em um oceano de desinformação e preconceito.
O debate sobre a descriminalização do aborto não é sobre o direito ou não de a gestante abortar, mas sobre o direito ou não de a gestante ter auxílio médico para abortar. A Constituição brasileira garante em seu artigo 226, §7º, que “o planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas”.
O que se vê, porém, no Brasil é uma completa interferência do Estado no direito da mulher de decidir ter ou não um filho, amparado em uma interpretação religiosa do direito constitucional à vida. O axioma católico de que a vida inicia na concepção é apresentado como fundamento “jurídico” contra a legalização do aborto, no Estado laico brasileiro. É este dogma religioso o grande responsável pelo cerceamento do direito constitucional ao livre planejamento familiar.
A criminalização do aborto no Brasil coloca nossas leis ao lado da tradição legislativa de países do Oriente Médio e da África, ainda marcada por uma intensa influência religiosa, e nos distancia dos Estados laicos da Europa e da América do Norte.
Direitos fundamentais, como é o direito à liberdade de planejamento familiar, não podem ser cerceados com base na fé em dogmas religiosos. O Estado é laico e ainda que a maioria da população brasileira acredite que o aborto é um grave pecado que deve ser punido com a excomunhão, estas concepções religiosas não podem ser impostas por meio de leis que criminalizam condutas, pois a separação entre Estado e religião é uma garantia constitucional.
Os abortos acontecem e acontecerão, com ou sem a criminalização, pois nenhuma lei conseguirá constranger uma mulher a ter um filho contra sua vontade. Não é um fato que agrade à mulher que se submete a ele, ao Estado, ou a quem quer que seja. Mas acontece.
Cabe ao Estado legalizar a prática e evitar os males maiores que são consequências dos abortos realizados sem assistência médica: os danos à saúde ou mesmo a morte da mulher. Talvez esta mudança na lei não faça muita diferença para os homens ou para as mulheres ricas que não sentem na pele as consequências de sua criminalização; mas para as mulheres pobres esta seria a única lei que, de fato, poderia ser chamada de pró-vida.
Túlio Vianna é professor da Faculdade de Direito da UFMG.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Dia Mundial do Vegetarianismo
Foi no dia 1º, mas eu só fiquei sabendo agora. Azar. Ainda vale a divulgação pela segunda sem carne!
Fica a dica!
Estabelecido em 1977 pela Sociedade Vegetariana Norte Americana, é um dia para se celebrar e refletir sobre o impacto que a nossa alimentação tem no meio ambiente e na sociedade e informar sobre as vantagens de uma alimentação vegetariana.
(...)
O fato é que o consumo de carne animal, requer quantidades imensas de solo, combustível, energia e principalmente, água. Para se produzir um quilo de carne de boi são necessários nada menos que 15.000 litros de água, enquanto um quilo de trigo requer 1000 litros. Como se não bastasse, os gases emitidos pela digestão dos bois contabilizam 18% dos gases que causam o efeito estufa, responsável pelo aquecimento global.
Ainda que você não seja vegetariano, celebre esse dia com seus amigos, vegetarianos ou não, evitando o consumo de derivados animais.
Se você é daqueles que não resiste a uma picanha, considere então uma redução em sua ingestão de carne. Eleja um dia da semana para ser o seu “dia vegetariano”.
(...)
Tem dúvidas sobre os benefícios os benefícios de uma dieta sem carne para a sua saúde? Segundo a American Dietetic Association, "... dietas vegetarianas bem preparadas são saudáveis, nutricionalmente adequadas, e proporcionam benefícios de saúde na prevenção e tratamento de diversas doenças."
Por fim, mas não menos importante, vem a questão do respeito aos animais. Porcos, vacas, galinhas, perus, peixes, coelhos, cabritos..., destinados majoritariamente ao abate, são animais sensíveis e inteligentes. Estudos científicos recentes comprovam: eles experimentam emoções como o medo e a angústia e sentem dor exatamente como nós, seres humanos. Ainda assim, todos os anos, a indústria da carne submete bilhões de animais a maus tratos, confinamento, manejo brutal e morte cruel. Será que isso está certo?
Fica a dica!
Estabelecido em 1977 pela Sociedade Vegetariana Norte Americana, é um dia para se celebrar e refletir sobre o impacto que a nossa alimentação tem no meio ambiente e na sociedade e informar sobre as vantagens de uma alimentação vegetariana.
(...)
O fato é que o consumo de carne animal, requer quantidades imensas de solo, combustível, energia e principalmente, água. Para se produzir um quilo de carne de boi são necessários nada menos que 15.000 litros de água, enquanto um quilo de trigo requer 1000 litros. Como se não bastasse, os gases emitidos pela digestão dos bois contabilizam 18% dos gases que causam o efeito estufa, responsável pelo aquecimento global.
Ainda que você não seja vegetariano, celebre esse dia com seus amigos, vegetarianos ou não, evitando o consumo de derivados animais.
Se você é daqueles que não resiste a uma picanha, considere então uma redução em sua ingestão de carne. Eleja um dia da semana para ser o seu “dia vegetariano”.
(...)
Tem dúvidas sobre os benefícios os benefícios de uma dieta sem carne para a sua saúde? Segundo a American Dietetic Association, "... dietas vegetarianas bem preparadas são saudáveis, nutricionalmente adequadas, e proporcionam benefícios de saúde na prevenção e tratamento de diversas doenças."
Por fim, mas não menos importante, vem a questão do respeito aos animais. Porcos, vacas, galinhas, perus, peixes, coelhos, cabritos..., destinados majoritariamente ao abate, são animais sensíveis e inteligentes. Estudos científicos recentes comprovam: eles experimentam emoções como o medo e a angústia e sentem dor exatamente como nós, seres humanos. Ainda assim, todos os anos, a indústria da carne submete bilhões de animais a maus tratos, confinamento, manejo brutal e morte cruel. Será que isso está certo?
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Mulheres I
Ontem, ao meio dia fui votar.
Em dia de eleição, ainda mais com esse feriado prolongado, Porto Alegre fica vazia, tão vazia que chega a ser estranho, parece uma cidade do interior, ou o fim dos tempos. Mas voto num colégio perto de casa, entre sair, votar e voltar não se passaram nem 10 minutos.
Nesse intervalo de tempo, um babaca atravessou a rua, e passou a mão na minha bunda. Com toda a liberdade que o machismo cretino dele o fazia crer que tivesse. Simplesmente assim.
No mesmo dia, as 19 horas, o Brasil comemorava sua primeira presidente mulher. A 11º da América Latina, como escutei por ai.
Nesse mesmo país, uma mulher é estuprada a cada 12 segundos. Isso quer dizer, que entre o babaca que passou a mão em mim, e a confirmação de eleição da Dilma, mais de duas mil mulheres foram estupradas.
Só eu acho isso uma grande palhaçada?
Comemorar e divulgar a eleição de uma mulher, só confirma o nosso machismo. Não foi uma mulher, foi uma pessoa preparada e qualificada, que batalhou muito, que teve assessoria durante vários meses, que participou de debates, que militou, que estudou, que viajou o Brasil inteiro. Assim como qualquer outro candidato faria. Agora celebra-se estardalhosamente porque essa pessoa era uma mulher. E dai? Alguém duvidava que uma mulher poderia fazer isso?
Não. A verdadeira comemoração foi porque isso realmente representa um avanço. Mulheres são tão qualificadas, ou mais do que homens. Não existe profissão que uma mulher não desempenhe melhor do que um homem. Nem construção civil! Mas sempre vai existir algum machista idiota pra dizer que "dirige como uma mulher", ou "chora como uma mulher".
Cuidado Dilma.
Cuidado nós, mulheres, pois não adianta só mostrar competência e qualificação. É preciso mostrar excelência. Não temos o direito de errar. Isso é um privilégio masculino. Ao primeiro escorregão da nova presidente, tenho certeza que vou ouvir na rua "mulher dá nisso!" E obviamente, as glórias que virão com o governo serão fruto da sua capacidade como ser humano, ninguém vai reconhecer que um homem não faria da mesma forma.
Machismo? Feminismo? Não. Existem diferenças.
Já reparou como o pai e a mãe assumem papéis diferentes? Como uma chefia masculina ou feminina é diferente? Grupos de amigos homens ou mulheres são diferentes. Existe diferença. Claro que sim. Negar isso seria ridículo.
É preciso que as pessoas entendam que não se deve negar as diferenças e particularidades, e sim respeitá-las.
As ditas diferenças de gênero, são formadas e consolidadas na criação dos filhos. Quando os pais incentivam gurias a cuidarem da casa, a brincarem de boneca, quando contam historinhas de princesas delicadas e frageizinhas que esperam infinitamente o resgate do príncipe.
Me pergunto com que os guris aprendem a desrespeitar o corpo alheio. Não me digam que as mulheres se desvalorizam. Se um babaca sair sem camisa na rua ninguém vai passar a mão nele. Isso é ensinado geração após geração. Não me digam que mulheres se desvalorizam. Eu tenho todo o direito do mundo, de usar uma camiseta curta no verão de um país ocidental, de sair de vestido, de usar o que quiser, sem que ninguém encoste em mim. Ou grite, assobie, babe, bata palmas, xingue, nem nada disso.
Mas não vivemos numa sociedade ideal.
Mas comemoramos uma mulher com o mais alto cargo público que se pode ter.
Existe a promessa de não mexer com a legislação sobre o aborto, aliás, uma lei machista, como várias outras!
Mas assim mesmo, é um passo. Não é a vitória. Estamos longe dela.
Parabéns Dilma.
Muito trabalho pela frente.
Muita luta, pra todas nós.
Em dia de eleição, ainda mais com esse feriado prolongado, Porto Alegre fica vazia, tão vazia que chega a ser estranho, parece uma cidade do interior, ou o fim dos tempos. Mas voto num colégio perto de casa, entre sair, votar e voltar não se passaram nem 10 minutos.
Nesse intervalo de tempo, um babaca atravessou a rua, e passou a mão na minha bunda. Com toda a liberdade que o machismo cretino dele o fazia crer que tivesse. Simplesmente assim.
No mesmo dia, as 19 horas, o Brasil comemorava sua primeira presidente mulher. A 11º da América Latina, como escutei por ai.
Nesse mesmo país, uma mulher é estuprada a cada 12 segundos. Isso quer dizer, que entre o babaca que passou a mão em mim, e a confirmação de eleição da Dilma, mais de duas mil mulheres foram estupradas.
Só eu acho isso uma grande palhaçada?
Comemorar e divulgar a eleição de uma mulher, só confirma o nosso machismo. Não foi uma mulher, foi uma pessoa preparada e qualificada, que batalhou muito, que teve assessoria durante vários meses, que participou de debates, que militou, que estudou, que viajou o Brasil inteiro. Assim como qualquer outro candidato faria. Agora celebra-se estardalhosamente porque essa pessoa era uma mulher. E dai? Alguém duvidava que uma mulher poderia fazer isso?
Não. A verdadeira comemoração foi porque isso realmente representa um avanço. Mulheres são tão qualificadas, ou mais do que homens. Não existe profissão que uma mulher não desempenhe melhor do que um homem. Nem construção civil! Mas sempre vai existir algum machista idiota pra dizer que "dirige como uma mulher", ou "chora como uma mulher".
Cuidado Dilma.
Cuidado nós, mulheres, pois não adianta só mostrar competência e qualificação. É preciso mostrar excelência. Não temos o direito de errar. Isso é um privilégio masculino. Ao primeiro escorregão da nova presidente, tenho certeza que vou ouvir na rua "mulher dá nisso!" E obviamente, as glórias que virão com o governo serão fruto da sua capacidade como ser humano, ninguém vai reconhecer que um homem não faria da mesma forma.
Machismo? Feminismo? Não. Existem diferenças.
Já reparou como o pai e a mãe assumem papéis diferentes? Como uma chefia masculina ou feminina é diferente? Grupos de amigos homens ou mulheres são diferentes. Existe diferença. Claro que sim. Negar isso seria ridículo.
É preciso que as pessoas entendam que não se deve negar as diferenças e particularidades, e sim respeitá-las.
As ditas diferenças de gênero, são formadas e consolidadas na criação dos filhos. Quando os pais incentivam gurias a cuidarem da casa, a brincarem de boneca, quando contam historinhas de princesas delicadas e frageizinhas que esperam infinitamente o resgate do príncipe.
Me pergunto com que os guris aprendem a desrespeitar o corpo alheio. Não me digam que as mulheres se desvalorizam. Se um babaca sair sem camisa na rua ninguém vai passar a mão nele. Isso é ensinado geração após geração. Não me digam que mulheres se desvalorizam. Eu tenho todo o direito do mundo, de usar uma camiseta curta no verão de um país ocidental, de sair de vestido, de usar o que quiser, sem que ninguém encoste em mim. Ou grite, assobie, babe, bata palmas, xingue, nem nada disso.
Mas não vivemos numa sociedade ideal.
Mas comemoramos uma mulher com o mais alto cargo público que se pode ter.
Existe a promessa de não mexer com a legislação sobre o aborto, aliás, uma lei machista, como várias outras!
Mas assim mesmo, é um passo. Não é a vitória. Estamos longe dela.
Parabéns Dilma.
Muito trabalho pela frente.
Muita luta, pra todas nós.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
sábado, 2 de outubro de 2010
Mais sobre biblioteca escolar
É na escola que moldamos nossa personalidade, justamente nesse curto espaço de tempo (infancia e adolescencia) que recebemos as informações que irao nos influenciar nesse processo. Preconceitos, ética, relacionamento interpessoal, fatores que nos tornarão impares na sociedade. Entre estes fatores, o apreço pela leitura.
O profissional atuante na biblioteca escolar tem uma tarefa muito importante, embora muitas vezes não se de por conta disso. É uma tarefa fundamental no processo educacional do estudante, na formação crítica e intelectual que vai acompanha-lo ao longo da vida.
O bibliotecário que atua neste espaço, tem que perceber que é um educador. Ele tem essa função. Enquanto o professor vai ensinar a ler, o bibliotecário vai mostar o que ler, como ler, onde procurar essa leitura. Ele deve ser a ponte, o mediador para a informação. Deve mostrar que a leitura não é apenas um exercicio escolar, mas também uma forma de lazer.
A legislaçao existente contempla várias formas de incentivo e espansao da biblioteca escolar, mas lamentavelmente, o poder executivo não corresponde da forma adequada, cabendo muitas vezes aos envolvidos diretamente com a biblioteca prover meios para tal.
Muitas escolas não tem biblioteca, principalmente bairros de periferia. Nesses locais é comum acontecer um movimento entre os moradores, que é a criação de bibliotecas comunitarias. Esse tipo de biblioteca surge por iniciativa dos usuarios, que sentem a necessidade deste espaço. Muitas vezes não contam como bibliotecarios, nem com livros novos, nem com meios adequados para organizaçao, mas elas cumprem como nenhuma outra a funçao primordial da biblioteca, que é integrar e informar.
sábado, 28 de agosto de 2010
Sobre Biblioteca Escolar
Um texto curto, escrito em aula para uma disciplina, mas que eu gostei muito.
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Organização em Bibliotecas Escolares
Nalin Ferreira
22/08/10
A Biblioteca Esolar é um dos pilares da educação de base, e continuada. Trata-se de um acervo organizado, disponível, acessível e voltado para uma determinada comunidade educacional. Deve atuar como um suporte ao ensino, em conjunto com os educadores. Participa do sistema educativo, não como uma muleta, mas como uma peça da engrenagem. Deve auxiliar os usuários a desenvolverem aptidões que auxiliarão na sua vida futura, além de despertar a consciência critica e social, e o gosto pela leitura. Deve promover atividades culturais, e de integração, contribuindo com os objetivos e currículo da instituição de ensino em questão. A UNESCO define a Biblioteca Escolar em seu Manifesto. Dentro dessa definição, estão listados os objetivos, missão e serviços. Sem querer discutir os interesses por tras deste manifesto, escolhi dois objetivos listados no mesmo, que me chamaram muita atenção:
*ver também: Manifesto da Unesco sobre Bibliotecas Públicas
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Organização em Bibliotecas Escolares
Nalin Ferreira
22/08/10
*Organizar atividades que incentivem a tomada de consciência cultural e social, bem como de sensibilidade;
*Proclamar o conceito de que a liberdade intelectual e o acesso à informação são pontos fundamentais à formação de cidadania responsável e ao exercício da democracia;
Acredito que esses dois objetivos sejam complementares, e essenciais no processo educativo, que é uma das atribuições da biblioteca escolar. Como diz no próprio Manifesto: "[...] é parte integral do processo educativo."
A biblioteca não pode ser apenas um depósito de livros de literatura, com um bibliotecário que alcança informações da estante conforme a demanda. Pelo contrário, deve adiantar-se nesse processo. Deve instigar o estudante, incentivar que busque novidades, que pesquise além do solicitado.
A biblioteca deve ser um pólo de cultura, de informação, de troca, de novidades, e de atividades que atraiam os usuários.
A função da biblioteca, e nesse caso, não apenas da escolar, despertar a consciência crítica no usuário, fazer com que se sinta pertencente a uma comunidade, a uma sociedade, e que se torne crítico e atuante dentro deste espaço.
O usuário deve perceber que tem liberdade intelectual para buscar as informações que forem de seu interesse, e não concordar com elas, e buscar outras fontes.
O exercício de cidadania e democracia ficariam muito mais evidentes se a biblioteca escolar cumprir com os seus objetivos.
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