Em dias como hoje, é bom ter na memória momentos que nos fazem acreditar que tudo vai dar certo.
E vai dar sim.
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quinta-feira, 5 de abril de 2012
quarta-feira, 14 de março de 2012
Detesto
"No entanto, do fundo do coração te agradeço o desespero que me causas, e detesto a tranqüilidade em que vivi antes de te conhecer."
(Sóror Mariana Alcoforado: Cartas Portuguesas)
quinta-feira, 1 de março de 2012
No quiero otros besos...
"No quiero otros besos, ni otros abrazos, ni otro número de teléfono que me llame por las noches. Porque me encanta tu sonrisa, la adoro. Adoro tus abrazos y tus locuras. Me encanta que me hagas reír. Me gusta cuando me miras y cuando sonríes sin ninguna razón. Adoro que me hagas tus tipicas bromas, aunque me enoje y creas que las odio. Adoro tu forma de hablar, tus gestos y tu aroma. Me encanta estar contigo porque se me olvida todo. Supongo que en realidad, no adoro todo eso. Me gusta solamente porque lo haces tu."
(via http://auroraine.blogspot.com/)
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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Para Viver Um Grande Amor
Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor.
Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.
Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.
É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.
MORAES, Vinícius. Pra viver um grande amor. In: ______. Para Viver Um Grande Amor. José Olympio: Rio de Janeiro, 1984. p. 130.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Poema XIV
Juegas todos los días con la luz del universo.
Sutil visitadora, llegas en la flor y en el agua.
Eres más que esta blanca cabecita que aprieto
como un racimo entre mis manos cada día.
A nadie te pareces desde que yo te amo.
Déjame tenderte entre guirnaldas amarillas.
Quién escribe tu nombre con letras de humo entre las estrellas del sur?
Ah déjame recordarte cómo eras entonces, cuando aún no existías.
De pronto el viento aúlla y golpea mi ventana cerrada.
El cielo es una red cuajada de peces sombríos.
Aquí vienen a dar todos los vientos, todos.
Se desviste la lluvia.
Pasan huyendo los pájaros.
El viento. El viento.
Yo sólo puedo luchar contra la fuerza de los hombres.
El temporal arremolina hojas oscuras
y suelta todas las barcas que anoche amarraron al cielo.
Tú estás aquí. Ah tú no huyes.
Tú me responderás hasta el último grito.
Ovíllate a mi lado como si tuvieras miedo.
Sin embargo alguna vez corrió una sombra extraña por tus ojos.
Ahora, ahora también, pequeña, me traes madreselvas,
y tienes hasta los senos perfumados.
Mientras el viento triste galopa matando mariposas
yo te amo, y mi alegría muerde tu boca de ciruela.
Cuanto te habrá dolido acostumbrarte a mí,
a mi alma sola y salvaje, a mi nombre que todos ahuyentan.
Hemos visto arder tantas veces el lucero besándonos los ojos
y sobre nuestras cabezas destorcerse los crepúsculos en abanicos girantes.
Mis palabras llovieron sobre ti acariciándote.
Amé desde hace tiempo tu cuerpo de nácar soleado.
Hasta te creo dueña del universo.
Te traeré de las montañas flores alegres, copihues,
avellanas oscuras, y cestas silvestres de besos.
Quiero hacer contigo
lo que la primavera hace con los cerezos.
Sutil visitadora, llegas en la flor y en el agua.
Eres más que esta blanca cabecita que aprieto
como un racimo entre mis manos cada día.
A nadie te pareces desde que yo te amo.
Déjame tenderte entre guirnaldas amarillas.
Quién escribe tu nombre con letras de humo entre las estrellas del sur?
Ah déjame recordarte cómo eras entonces, cuando aún no existías.
De pronto el viento aúlla y golpea mi ventana cerrada.
El cielo es una red cuajada de peces sombríos.
Aquí vienen a dar todos los vientos, todos.
Se desviste la lluvia.
Pasan huyendo los pájaros.
El viento. El viento.
Yo sólo puedo luchar contra la fuerza de los hombres.
El temporal arremolina hojas oscuras
y suelta todas las barcas que anoche amarraron al cielo.
Tú estás aquí. Ah tú no huyes.
Tú me responderás hasta el último grito.
Ovíllate a mi lado como si tuvieras miedo.
Sin embargo alguna vez corrió una sombra extraña por tus ojos.
Ahora, ahora también, pequeña, me traes madreselvas,
y tienes hasta los senos perfumados.
Mientras el viento triste galopa matando mariposas
yo te amo, y mi alegría muerde tu boca de ciruela.
Cuanto te habrá dolido acostumbrarte a mí,
a mi alma sola y salvaje, a mi nombre que todos ahuyentan.
Hemos visto arder tantas veces el lucero besándonos los ojos
y sobre nuestras cabezas destorcerse los crepúsculos en abanicos girantes.
Mis palabras llovieron sobre ti acariciándote.
Amé desde hace tiempo tu cuerpo de nácar soleado.
Hasta te creo dueña del universo.
Te traeré de las montañas flores alegres, copihues,
avellanas oscuras, y cestas silvestres de besos.
Quiero hacer contigo
lo que la primavera hace con los cerezos.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Falso brilhante
Há o condicionamento de que amor mesmo, de verdade, é gastar metade do salário para a esquadrilha da fumaça assinar o nome da namorada pelos céus de Porto Alegre.
Temos uma noção de que amor mesmo, de verdade, é exibicionista. Depende de surpresas públicas de afeto como serenata na janela, carro de som, anúncios na TV, outdoors com pedido de casamento.
Mulheres e homens se desesperam por um amor público, encantado, de estádio cheio, e cobram provas mirabolantes de seus parceiros. Reclamam da rotina, da previsibilidade, e exigem declarações barulhentas para despertar a inveja do próximo.
O amor espalhafatoso recebe a fama, mas o amor contido é o mais profundo.
Ao procurar o amor empresarial, desprezamos o amor funcionário público, que atende às ligações e escreve nossos memorandos.
Ao perseguir o amor de cinema, desdenhamos o amor de teatro, de quem encena a peça todo dia ao nosso lado, sempre com uma interpretação nova a partir das falas iguais.
Ao cobiçar o amor sensual de lareira e restaurante, apagamos a delícia de comer direto nas panelas, sem pratos, sem medo do garçom.
Ao perseguir a aventura, negamos a permanência.
Preocupados em ser reconhecidos mais do que amar, esquecemos a verdade pessoal e despojada do nosso relacionamento. Recusamos o amor constante, o amor cúmplice.
Não valorizamos a passionalidade silenciosa, a passionalidade humilde, a passionalidade generosa, a passionalidade tímida, a passionalidade artesanal.
O passional pode ser discreto na aparência e prático na ternura.
O amor mais contundente é o que não precisa ser visto para existir. E continuará sendo feito apesar de não ser reparado.
O amor real é secreto. É conservar um pouco de amor platônico dentro do amor correspondido. É reservar as gavetas do armário mais acessíveis para as roupas dela, é deixar que sua mulher tome a última fatia da pizza que você mais gosta, é separar as roupas de noite para não acordá-la de manhã. E nunca falar que isso aconteceu. E não jogar na cara qualquer ação. E não se vangloriar das próprias delicadezas.
Buscá-la no trabalho é o equivalente a oferecer um par de brilhantes. Esperá-la com comida pronta é o equivalente a acolhê-la com um buquê de rosas vermelhas.
São demonstrações sutis, que não dá para contar para os outros, mas que contam muito na hora de acordar para enfrentar a vida.

Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 2, 04/10/2011
Porto Alegre (RS), Edição N° 16846
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Racionalmente
Era bobagem enfrentar racionalmente a sólida barreira do irracional de que é constituída, como se diz, a alma feminina. Desde o começo nossa discussão se realizava sob maus auspícios.
Milan Kundera in "Risíveis Amores"
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Felicidade
Como se alguém pudesse regressar ao lugar onde foi infeliz. Não se é duas vezes infeliz da mesma maneira, e ninguém é feliz de maneira nenhuma. Inventamos aquilo de que nos queremos lembrar, isso sim.
Inês Pedrosa in "Eternidade e o desejo"
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Momento romance
Do nada essa música surge na play llist, e me traz memórias. Milhares delas. E todas lindas por sinal. Que bom que minha capacidade de abstração se juntou a minha memória pouco confiável, e fez todas as lembranças negativas sumirem.
E como hoje eu to meio sentimental mesmo, resolvi gastar ela um pouco.
Romance
Nei Lisboa
Todas as bobagens que eu já disse
Dariam pra encher um caminhão
Mesmo assim encontro no caminho
Milhares mais otários do que eu
Dariam pra encher um caminhão
Mesmo assim encontro no caminho
Milhares mais otários do que eu
Por isso meu amor
Não leve tão a sério
Nem o que eu digo nem o que eu deixo de esconder
Não vai ter graça o dia
Em que bater na porta
E você não abrir pra responder
Não leve tão a sério
Nem o que eu digo nem o que eu deixo de esconder
Não vai ter graça o dia
Em que bater na porta
E você não abrir pra responder
Todas as pessoas que eu conheço
Cabem bem juntinhas na palma da mão
Pra você guardei um universo
Quando falta espaço eu faço verso e durmo na canção
Cabem bem juntinhas na palma da mão
Pra você guardei um universo
Quando falta espaço eu faço verso e durmo na canção
Por isso meu amor não pense que é brinquedo
Eu tenho medo e morro de paixão
Não vai ter graça o dia
Em que eu abrir a porta
E a tua mão vazia disser não
Eu tenho medo e morro de paixão
Não vai ter graça o dia
Em que eu abrir a porta
E a tua mão vazia disser não
Por isso meu amor
Não leve tão a sério
Se eu morro de medo
Brinco de paixão
Não vai ter graça o dia
Em que eu te ver na porta
E não souber se entro
Ou faço uma canção...
Não leve tão a sério
Se eu morro de medo
Brinco de paixão
Não vai ter graça o dia
Em que eu te ver na porta
E não souber se entro
Ou faço uma canção...
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domingo, 28 de agosto de 2011
Sobre laranjas...
''Quando você encontrar a outra metade da sua alma, você vai entender porque todos os outros amores deixaram você ir. Quando você encontrar a pessoa que REALMENTE merece o seu coração, você vai entender porque as coisas não funcionaram com todos os outros.''
Rubem Alves
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Si me quieres, quiéreme entera...
Si me quieres, quiéreme entera,
no por zonas de luz o sombra...
Si me quieres, quiéreme negra
o blanca. Y gris, y verde, y rubia,
y morena...
Quiéreme día, quiéreme noche...
Y madrugada en la ventana abierta!...
Si me quieres, no me recortes:
Quiéreme toda...o no me quieras!
Dulce María Loynaz
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Pra quem quer esquecer
Texto lindo, muito verdadeiro, que com certeza, vai fazer muita gente se identificar!
Afinal, esquecer nunca é fácil, e dor de amor, dói igual em todo mundo!
Afinal, esquecer nunca é fácil, e dor de amor, dói igual em todo mundo!
Pra quem quer esquecer
26terça-feirajul 2011
Antes de tentar esquecer algo/alguém é preciso saber que não é pra sempre. Que vira e mexe você vai esbarrar com a lembrança. É o perfume, são as palavras, é o lugar, é a presença física mesmo, ali, passeando na rua ao lado dos amigos fingindo que não te conhece ou pior ainda, te conhecendo e te olhando sem graça.
Mas seja forte, determinada em suas resoluções. Porque esquecer alguém, você sabe, não é fácil.
A tentação de voltar atrás, a esperança de que pode ser apenas um mal entendido, de que se você se esforçasse mais podia ser diferente, não vai te abandonar nunca. Os ‘e se’ vivem a nos rodear como fantasmas.
E o pior fantasma que vai te atormentar é aquela maldita idéia de que aquilo era pra você, de que aquilo era pra acontecer, de que ele era o homem da sua vida, de que não vai mais viver sem ele, que nunca vai amar novamente. Mas isso é uma mentira que você está contando pra si mesma porque tem medo. Medo do fracasso, da solidão, medo de tentar de novo. Pior ainda, medo de aceitar de que aquilo te fazia mal e que as coisas boas só existiam na sua cabeça. As relações se desgastam se os dois não se reinventam todo dia, se os dois não souberem respeitar e vez em quando baixar a guardar, ceder, abrir concessões.
Tem gente que diz que foi de repente que alguém decidiu terminar o relacionamento, que sumiu, que acabou. Só a morte é de repente. O restante acontecia debaixo dos nossos olhos o tempo todo, a gente que fechava eles e vivia dentro da gente a fantasia e a esperança de que era passageiro, de que todo mundo é assim, de que é desse jeito mesmo. Que só você amava? Tenho certeza que não.
Então, deixe de justificativas e aceite que é preciso esquecer. Que depende exclusivamente de você aceitar que aquilo te fazia mal também, que talvez não era a hora certa e seguir adiante. A vida continua e não se desespere com o que eu vou dizer, mas você vai fracassar de novo. Inevitavelmente vai amar novamente, vai sofrer novamente, vai querer esquecer novamente.
Então apegue-se a essa lição preciosa: já que esquecer é tão difícil, então lembre o tempo todo, a toda hora, de você. Sim, de você!
Ame-se!
Permita-se fazer um curso de artes, de dança, ginástica. Conheça novos lugares, viaje mesmo sozinha. Não tenha medo de ousar, cortar o cabelo, trocar o jeito de se vestir. Faça novos amigos. E não tenha medo de sair com novas pessoas, se envolver, beijar e beijar, amar. Mas não caia na ilusão de que essas coisas gerarão desconfiança e ciúmes do seu objeto de esquecimento. Não ache que isso vai fazer ele voltar atrás, porque se ele voltar é porque você mudou e está amando a si mesma. O que só prova que você sabe esquecer sim, esqueceu de si mesma durante um tempo.
Então ame-se! Não há nada mais prazeroso, mas recompensador, mais garantido e duradouro que amar a si mesmo.
Ocupe sua mente aprendendo uma nova língua, assistindo todos os filmes daquele ator que você gosta tanto, aprendendo uma luta, leia todos os livros de Jane Austen sem pressa. Aprenda a fazer bijouterias, a decorar unhas, a fazer luzes no cabelo. Ocupe-se com você!
Depois de decidir esquecer alguém, num primeiro momento evite o que lembra essa pessoa, evite os caminhos, evite bisbilhotar perfis em redes sociais. Liberte essa pessoa da sua vida. Mas isso estou comentando apenas por comentar, porque afinal, já disse que se você se ocupar com você nem vai ter tempo de pensar no passado.
A vida é tão curta pra gente perder um dia sequer se amargurando. Remoer os sentimentos, guardar mágoa, faz mal apenas pra gente. Guarde apenas a experiência, acredite que tudo o que você viveu só te preparou pra algo extraordinário que ainda está por vir.
Sabe aquela sensação de estar saindo e esquecendo algo? Ela sempre vai te rondar. Então apenas respire fundo, confira se foram os documentos ou um “troquinho pro ladrão” ($), as chaves, o creme pras mãos ou um batom. E se não foram eles, segue em frente. Tudo o mais pode ser esquecido, o essencial já está com você. Dentro da bolsa ou do coração.
Mas seja forte, determinada em suas resoluções. Porque esquecer alguém, você sabe, não é fácil.
A tentação de voltar atrás, a esperança de que pode ser apenas um mal entendido, de que se você se esforçasse mais podia ser diferente, não vai te abandonar nunca. Os ‘e se’ vivem a nos rodear como fantasmas.
E o pior fantasma que vai te atormentar é aquela maldita idéia de que aquilo era pra você, de que aquilo era pra acontecer, de que ele era o homem da sua vida, de que não vai mais viver sem ele, que nunca vai amar novamente. Mas isso é uma mentira que você está contando pra si mesma porque tem medo. Medo do fracasso, da solidão, medo de tentar de novo. Pior ainda, medo de aceitar de que aquilo te fazia mal e que as coisas boas só existiam na sua cabeça. As relações se desgastam se os dois não se reinventam todo dia, se os dois não souberem respeitar e vez em quando baixar a guardar, ceder, abrir concessões.
Tem gente que diz que foi de repente que alguém decidiu terminar o relacionamento, que sumiu, que acabou. Só a morte é de repente. O restante acontecia debaixo dos nossos olhos o tempo todo, a gente que fechava eles e vivia dentro da gente a fantasia e a esperança de que era passageiro, de que todo mundo é assim, de que é desse jeito mesmo. Que só você amava? Tenho certeza que não.
Então, deixe de justificativas e aceite que é preciso esquecer. Que depende exclusivamente de você aceitar que aquilo te fazia mal também, que talvez não era a hora certa e seguir adiante. A vida continua e não se desespere com o que eu vou dizer, mas você vai fracassar de novo. Inevitavelmente vai amar novamente, vai sofrer novamente, vai querer esquecer novamente.
Então apegue-se a essa lição preciosa: já que esquecer é tão difícil, então lembre o tempo todo, a toda hora, de você. Sim, de você!
Ame-se!
Permita-se fazer um curso de artes, de dança, ginástica. Conheça novos lugares, viaje mesmo sozinha. Não tenha medo de ousar, cortar o cabelo, trocar o jeito de se vestir. Faça novos amigos. E não tenha medo de sair com novas pessoas, se envolver, beijar e beijar, amar. Mas não caia na ilusão de que essas coisas gerarão desconfiança e ciúmes do seu objeto de esquecimento. Não ache que isso vai fazer ele voltar atrás, porque se ele voltar é porque você mudou e está amando a si mesma. O que só prova que você sabe esquecer sim, esqueceu de si mesma durante um tempo.
Então ame-se! Não há nada mais prazeroso, mas recompensador, mais garantido e duradouro que amar a si mesmo.
Ocupe sua mente aprendendo uma nova língua, assistindo todos os filmes daquele ator que você gosta tanto, aprendendo uma luta, leia todos os livros de Jane Austen sem pressa. Aprenda a fazer bijouterias, a decorar unhas, a fazer luzes no cabelo. Ocupe-se com você!
Depois de decidir esquecer alguém, num primeiro momento evite o que lembra essa pessoa, evite os caminhos, evite bisbilhotar perfis em redes sociais. Liberte essa pessoa da sua vida. Mas isso estou comentando apenas por comentar, porque afinal, já disse que se você se ocupar com você nem vai ter tempo de pensar no passado.
A vida é tão curta pra gente perder um dia sequer se amargurando. Remoer os sentimentos, guardar mágoa, faz mal apenas pra gente. Guarde apenas a experiência, acredite que tudo o que você viveu só te preparou pra algo extraordinário que ainda está por vir.
Sabe aquela sensação de estar saindo e esquecendo algo? Ela sempre vai te rondar. Então apenas respire fundo, confira se foram os documentos ou um “troquinho pro ladrão” ($), as chaves, o creme pras mãos ou um batom. E se não foram eles, segue em frente. Tudo o mais pode ser esquecido, o essencial já está com você. Dentro da bolsa ou do coração.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Infinita procura...
Porque temos esse hábito masoquista de insistir em relacionamentos falidos?
Será que essa carência, essa necessidade de ser amada, esse medo de ficar sozinha, realmente supera o amor-próprio?
É tão comum ver casais que não tem nada a ver um com o outro, mas que insistem nessa mentira, sabe-se lá por quais razões! A busca pela alma gêmea, pelo amor pra toda vida, por alguém que seja especial, está se tornando tão obsessiva, e tão difícil, que o Alguém acaba sendo qualquer um.
Ouvi esses dias que o amor, é como o papai noel, só que para adultos. A gente realmente acredita nele, e se ele não chegou ainda, é porque está preso na chaminé. Será mesmo? Mas e se papai noel não existir? Quem traz os presentes? Quem é responsável pela nossa felicidade? Quem vai nos tornar completos? Ora, não é óbvio? Amigos, família, cachorros, conquistas de cada dia... Felicidade é uma jornada, não um objetivo.
Não quero ser discrente no amor. Não sou. Mas um pouco de realismo faz bem.
Mas supondo que sim, existe o papai noel, existe a alma gêmea. Todo ser humano foi abençoado pelo destino, e tem uma alma gêmea vagando em algum lugar desse planeta. Nesse pequeno planeta. Alguém, entre esses seis bilhões de pessoas, espalhados por esses 500 milhões de quilômetros quadrados está te esperando, pra viver um grande amor, e envelhecer juntos.
Com essas estatísticas, fica fácil perceber porque tão poucos casais envelhecem juntos.
Com essas estatísticas, fica fácil perceber porque tão poucos casais envelhecem juntos.
Martha Medeiros falou na crônica de domingo, que sorte se nossa alma gêmea morar na mesma cidade, e frequentar a mesma locadora! Mas por garantia, cada um deveria dar pelo menos uma volta ao mundo antes de se juntar com alguém.
Bom, se não achar ninguém, pelo menos vai se divertir e abrir os horizontes, para quem sabe perceber que esse tal alguém, não determina felicidade de ninguém.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Camarada D'água
O Teatro Mágico
Camarada, d'onde vem essa febre
Nossa alegria breve
Por enquanto nos deixou
Camarada, viva a vida mais leve
Não deixe que ela escorregue
Que te cause mais dor
Nossa alegria breve
Por enquanto nos deixou
Camarada, viva a vida mais leve
Não deixe que ela escorregue
Que te cause mais dor
Caixa d'água guarda a água do dia
Não cabe tua alegria
Não basta pro teu calor
Não cabe tua alegria
Não basta pro teu calor
Viva a tua maneira
Não perca a estribeira
Saiba do teu valor
E amanheça brilhando mais forte
Que a estrela do norte
Que a noite entregou
Não perca a estribeira
Saiba do teu valor
E amanheça brilhando mais forte
Que a estrela do norte
Que a noite entregou
Camarada d'água
Fique peixe de manhã, de madrugada
Fique toda hora que for
Fique peixe de manhã, de madrugada
Fique toda hora que for
Você é riacho
E acho que teu rio corre pra longe do meu mar
Mar marvado seria o rio
Que correndo do meu riacho
Levaria o que acho
Pra onde ninguém pode achar
E acho que teu rio corre pra longe do meu mar
Mar marvado seria o rio
Que correndo do meu riacho
Levaria o que acho
Pra onde ninguém pode achar
Como pode um peixe vivo viver fora da água fria?
Como poderei viver
Como poderei viver
Sem a tua, sem a tua, sem a tua [infinita] companhia?
Como poderei viver
Como poderei viver
Sem a tua, sem a tua, sem a tua [infinita] companhia?
Viva a tua maneira
Não perca a estribeira
Saiba do teu valor
Não perca a estribeira
Saiba do teu valor
E amanheça brilhando mais forte
Que a estrela do norte
Que a noite entregou
Que a estrela do norte
Que a noite entregou
Um obrigada muito especial, pra todas essas mulheres infinitas que alicerçam a minha vida!
Amo voces!
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Duas canções de silêncio
Vinícius de Moraes
Ouve como o silêncio
Se fez de repente
Para o nosso amor
Horizontalmente...
Crê apenas no amor
E em mais nada
Cala; escuta o silêncio
Que nos fala
Mais intimamente; ouve
Sossegada
O amor que despetala o silêncio...
Deixa as palavras à poesia...
Poema de amor
Pablo Neruda
Nós perdemos também este crepúsculo.
Ninguém nos viu à tarde de mãos unidas
enquanto a noite azul caía sobre o mundo.
Vi, de minha janela
a festa do poente nos montes distantes.
Ás vezes qual moeda,
acendia-se um pouco de sol nas minhas mãos.
Eu te recordava com a alma apertada
por essa tristeza que tu me conheces.
Então, onde estarias?
Junto a que gente?
Dizendo que palavras?
Por que me há de vir todo o amor de um golpe
quando me sinto triste, e te sinto distante?
Caiu-me o livro que sempre se escolhe ao crepúsculo,
e como um cão ferido rolou-me aos pés a capa.
Sempre, sempre te afastas pela tarde
até onde o crepúsculo corre apagando estátuas.
Nós perdemos também este crepúsculo.
Ninguém nos viu à tarde de mãos unidas
enquanto a noite azul caía sobre o mundo.
Vi, de minha janela
a festa do poente nos montes distantes.
Ás vezes qual moeda,
acendia-se um pouco de sol nas minhas mãos.
Eu te recordava com a alma apertada
por essa tristeza que tu me conheces.
Então, onde estarias?
Junto a que gente?
Dizendo que palavras?
Por que me há de vir todo o amor de um golpe
quando me sinto triste, e te sinto distante?
Caiu-me o livro que sempre se escolhe ao crepúsculo,
e como um cão ferido rolou-me aos pés a capa.
Sempre, sempre te afastas pela tarde
até onde o crepúsculo corre apagando estátuas.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
É nas quedas que o rio cria energia!
Vou sim sentir falta de muitas coisas. E morro de ciúmes de pensar que outra pessoa vai dividir a tua cama, a tua vida, os teus sonhos, teus medos, e eu não farei parte de nada disso, a não ser como uma lembrança. Não gosto de pensar que vai dançar com outras pessoas, que vai cozinhar pra outras pessoas, que vais dividir o teu copo com outras pessoas.
Nesse acordo, a minha participação não foi significativa, não tive direito de escolher, pois não havia o que escolher! Só podia concordar, mesmo não concordando.
E tive sim, muita raiva. E chorei, e bebi e me calei. Até conseguir sufocar meu coração que esperneava. Estranho que ele tenha parado de se mexer. Talvez tenha entrado em coma com o sufocamento, mas é melhor assim. Meu lado racional assumiu o controle de novo.
Mas agora parou de doer.
Pelo menos parece.
Nesse acordo, a minha participação não foi significativa, não tive direito de escolher, pois não havia o que escolher! Só podia concordar, mesmo não concordando.
E tive sim, muita raiva. E chorei, e bebi e me calei. Até conseguir sufocar meu coração que esperneava. Estranho que ele tenha parado de se mexer. Talvez tenha entrado em coma com o sufocamento, mas é melhor assim. Meu lado racional assumiu o controle de novo.
Mas agora parou de doer.
Pelo menos parece.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Nem um oceano...
Quando é pra acontecer, flui.
Nada de complicações, nada de cobranças, nada de paranóia.
Apenas a simplicidade da certeza.
Seja qual for esta certeza.
Pois de um jeito ou de outro, já está decidido.
Nada de complicações, nada de cobranças, nada de paranóia.
Apenas a simplicidade da certeza.
Seja qual for esta certeza.
Pois de um jeito ou de outro, já está decidido.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Mulheres II
Todo homem, em algum momento da sua vida, já fez uma mulher chorar.
Na maioria das vezes, porque tem medo de agir como homens de verdade, e não como uma criança que faz arte escondido.
Na maioria das vezes, porque tem medo de agir como homens de verdade, e não como uma criança que faz arte escondido.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
O teu riso
Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.
Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.
A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.
Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.
À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.
Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.
Pablo Neruda
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.
Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.
A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.
Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.
À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.
Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.
Pablo Neruda
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