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domingo, 2 de setembro de 2012

Só há caminho



É de barro!
E é vermelho!
Como no horizonte a lagrimar...
É o sol que vem lambendo,
Juntando poeira e vento...
na imensidão do que está pra chegar.

São longas estradas...
Que importa!
Se chegar não é meu compromisso,
e o que me interessa mesmo é caminhar...

No olho do que não sabe ler,
Mas (des)entende o mundo no seu resistir...
Na boca de quem canta o amor,
Mas padece em solidão...
São todos soldados do porvir!

É chão batido!
Pé descalço!
Por tantas vezes escorregadio...
E tomes muito cuidado,
com as frustradas estrofes,
de gente que já desistiu, e não mais sorriu...

Daqui a tua mão!
Sigamos a passos largos,
 no mundo correremos!
E mesmo de encruzilhada em encruzilhada,
logo chegarão novos ventos...

Ainda há chão!
É de barro!
E é vermelho!
E o que interessa mesmo é caminhar.

Belizário, Inverno/12

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Hoje em dia estou convencido de que um ser humano deveria sempre preservar sua mente serena e em paz, nunca permitindo que uma paixão ou um desejo passageiro perturbe sua tranquilidade. Se algo que você faz, mesmo sendo um estudo, enfraquece seus afetos e destrói seu gosto pelos prazeres simples onde nada de mal pode haver, então essa sua atividade não é boa, não convém à mente humana.

Mary Shelley in Frankenstein.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Da simplicidade do amor...

Texto recebido por email.


__________________


Por que as pessoas valorizam o esforço e a sedução?

Há conversas que nunca terminam e dúvidas que jamais desaparecem. Sobre a melhor maneira de iniciar uma relação, por exemplo. Muita gente acredita que aquilo que se ganha com facilidade se perde do mesmo jeito. Acham que as relações que exigem esforço têm mais valor. Mulheres difíceis de conquistar, homens difíceis de manter, namoros que dão trabalho - esses tendem a ser mais importantes e duradouros. Mas será verdade? 

Eu suspeito que não. 

Acho que somos ensinados a subestimar quem gosta de nós. Se a garota na mesa ao lado sorri em nossa direção, começamos a reparar nos seus defeitos. Se a pessoa fosse realmente bacana não me daria bola assim de graça. Se ela não resiste aos meus escassos encantos é uma mulher fácil – e mulheres fáceis não valem nada, certo? O nome disso, damas e cavalheiros, é baixa auto-estima: não entro em clube que me queira como sócio. É engraçado, mas dói. 

Também somos educados para o sacrifício. Aquilo que ganhamos sem suor não tem valor. Somos uma sociedade de lutadores, não somos? Temos de nos esforçar para obter recompensas. As coisas que realmente valem a pena são obtidas à duras penas. E por aí vai. De tanto ouvir essa conversa - na escola, no esporte, no escritório - levamos seus pressupostos para a vida afetiva. Acabamos acreditando que também no terreno do afeto deveríamos ser capazes de lutar, sofrer e triunfar. Precisamos de conquistas épicas para contar no jantar de domingo. Se for fácil demais, não vale. Amor assim não tem graça, diz um amigo meu. Será mesmo? 

Minha experiência sugere o contrário. 

Desde a adolescência, e no transcorrer da vida adulta, todas as mulheres importantes me caíram do céu. A moça que vomitou no meu pé na festa do centro acadêmico e me levou para dormir na sala da casa dela. Casamos. A garota de olhos tristes que eu conheci na porta do cinema e meia hora depois tomava o meu sorvete. Quase casamos? A mulher cujo nome eu perguntei na lanchonete do trabalho e 24 horas depois me chamou para uma festa. A menina do interior que resolveu dançar comigo num impulso. Nenhuma delas foi seduzida, conquistada ou convencida a gostar de mim. Elas tomaram a iniciativa – ou retribuíram sem hesitar a atenção que eu dei a elas. 

Toda vez que eu insisti com quem não estava interessada deu errado. Toda vez que tentei escalar o muro da indiferença foi inútil. Ou descobri que do outro lado não havia nada. Na minha experiência, amor é um território em que coragem e a iniciativa são premiadas, mas empenho, persistência e determinação nunca trouxeram resultado. 

Relato essa experiência para discutir uma questão que me parece da maior gravidade: o quanto deveríamos insistir em obter a atenção de uma pessoa que não parece retribuir os nossos sentimentos? 

Quem está emocionalmente disponível lida com esse tipo de dilema o tempo todo. Você conhece a figura, acha bacana, liga uns dias depois e ela não atende e nem liga de volta. O que fazer? Você sai com a pessoa, acha ela o máximo, tenta um segundo encontro e ela reluta em marcar a data. Como proceder a partir daí? Você começou uma relação, está se apaixonando, mas a outra parte, um belo dia, deixa de retornar seus telefonemas. O que se faz? Você está apaixonado ou apaixonada, levou um pé na bunda e mal consegue respirar. É o caso de tentar reconquistar ou seria melhor proteger-se e ajudar o sentimento a morrer? 

Todas essas situações conduzem à mesma escolha: insistir ou desistir? 

Quem acha que o amor é um campo de batalha geralmente opta pela insistência. Quem acha que ele é uma ocorrência espontânea tende a escolher a desistência (embora isso pareça feio). Na prática, como não temos 100% de certeza sobre as coisas, e como não nos controlamos 100%, oscilamos entre uma e outra posição, ao sabor das circunstâncias e do tamanho do envolvimento. Mas a maioria de nós, mesmo de forma inconsciente, traça um limite para o quanto se empenhar (ou rastejar) num caso desses. Quem não tem limites sofre além da conta – e frequentemente faz papel de bobo, com resultados pífios. 

Uma das minhas teorias favoritas é que mesmo que a pessoa ceda a um assédio longo e custoso a relação estará envenenada. Pela simples razão de que ninguém é esnobado por muito tempo ou de forma muito ostensiva sem desenvolver ressentimentos. E ressentimentos não se dissipam. Eles ficam e cobram um preço. Cedo ou tarde a conta chega. E o tipo de personalidade que insiste demais numa conquista pode estar movida por motivos errados: o interesse é pela pessoa ou pela dificuldade? É um caso de amor ou de amor próprio? 

Ser amado de graça, por outro lado, não tem preço. É a homenagem mais bacana que uma pessoa pode nos fazer. Você está ali, na vida (no trabalho, na balada, nas férias, no churrasco, na casa do amigo) e a pessoa simplesmente gosta de você. Ou você se aproxima com uma conversa fiada e ela recebe esse gesto de braços abertos. O que pode ser melhor do que isso? O que pode ser melhor do que ser gostado por aquilo que se é – sem truques, sem jogos de sedução, sem premeditações? Neste momento eu não consigo me lembrar de nada.

IVAN MARTINS 

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Manual do amigo do vegetariano


Encontrei este texto no Cantinho Vegetariano, não é meu, mas é muito bom, porque se encaixa em situações que qualquer vegetariano, semi vegetariano ou vegan já passou na vida.

O mais difícil não é mudar os próprios hábitos, é ser aceito. Sabia que vegs sofrem preconceito? Não? Nem eu, até mudar de lado, e entender como as piadinhas "engraçadinhas e inocentes" realmente ofendem.
Um exemplo pra inverter os papéis: uma mulher é obrigada a ouvir que "mulher tem que apanhar", "mulher dirige mal", "mulher só serve pra pilotar fogão". Não é legal, e não é verdadeiro. Ofende, por mais que tu leve na esportiva, cansa ouvir esse tipo de bobagem sendo reproduzido de geração após geração, pela mídia e pelos teus próprios amigos e parentes.
Oi? Será que só eu percebi que tem alguma coisa errada?
Comer animais, não é legal. Matar animais não é legal. Não tem nada de divertido em escravidão, tortura, desrespeito e violência. Nenhum ser vivo é superior ao outro.
Mas claro, se tu resolve se manifesta, logo é categorizado como mais um vegetariano chato.
Enfim... um dia o mundo vai evoluir. E quando desenterrarem nossos fósseis, vão achar que éramos muito selvagens. E com razão!

___________________


10 mandamentos para os carnívoros

Concluí, após cuidadosa análise, que comer carne era incompatível com meus valores, apesar de adorar carne e não gostar muito de verduras. Eu tinha certeza que minhas papilas gustativas iam se rebelar, talvez manter um ou dois brotos de feijão como reféns em minha boca até que eu pagasse o resgate com um hambúrguer ou um pedacinho de bacon.

Felizmente, não aconteceu bem como eu esperava, meu maior problema como vegetariana não foi a comida — que descobri ser deliciosa e tão satisfatória como a carne — mas as atitudes desconcertantes de minha família e dos amigos. Outros vegetarianos fazem as mesmas reclamações: os olhares estranhos, as perguntas tolas, os interrogatórios pouco amistosos. Parece que os vegetarianos —12 milhões só nos Estados Unidos, e aumentando a cada dia — são uma minoria na verdade tristemente mal compreendida. Assim, eu bolei dez simples mandamentos para os carnívoros usarem em seus contatos com os vegetarianos:

Não pense que os vegetarianos são espartanos que se alimentam de cenouras cruas e brotos de feijão.

A pergunta que mais ouço é "O que você come?" Esta me deixa desconcertada; o que pode responder uma pessoa que tem uma dieta razoavelmente variada? Eu como espaguete, refogados, humus, cozidos, sorvete de framboesa, minestrone, saladas, burritos de feijão, bolo de gengibre, lentilha, lasanha, espetinhos de tofu, waffles, hambúrgueres vegetarianos, alcachofras, tacos, bagels, arroz com açafrão, musselina de limão, risoto de cogumelos silvestres — o que você come?

Aprenda um pouco de biologia.

Eu ainda não sei bem o que fazer com pessoas que são inteligentes sob outros aspectos mas acham que uma galinha não é um animal. Só para constar, vegetarianismo significa não consumir carne vermelha, aves, ou peixe — nada que tenha um rosto. Já perdi a conta das vezes em que garçons sugeriram um prato de frutos do mar como entrada "vegetariana".

Principalmente se as pessoas forem vegetarianas por razões éticas, não julgue que elas não se importarão com "só um pouquinho" de carne em sua refeição.

Você aceitaria "só um pouquinho" de seu gato, ou "um bocadinho" do Tio Jim em sua sopa?

Deixe de fazer lobby para a indústria da carne.

Parece que os carnívoros pensam que os vegetarianos são como as pessoas que fazem regime e que nós queremos trapacear de vez em quando. Meu pai tem certeza de que se ele conseguir me convencer que sua carne enlatada é uma delícia, eu vou ceder e comê-la. Amigos tentam me fazer experimentar "só um pedacinho" de qualquer prato com carne que eles estejam comendo, partindo da premissa de que é tão bom que é impossível que eu recuse. Há vezes em que penso que os carnívoros aprenderam a fazer pressão com os caras malvados dos filmes anti-drogas que nós assistíamos no ginásio. Ouçam bem: não precisam insistir dizendo que é "ótimo", nós não vamos comer.

Quando um vegetariano fica doente, não diga a ele ou a ela que está desnutrido.

Dos comentários que ouvi quando tive gripe, vocês pensariam que os carnívoros nunca ficam doentes. Quando eu fico doente, tem sempre alguém esperando para me dizer que é por causa da minha dieta. Na verdade, da mesma forma que existem carnívoros saudáveis e doentes, há vegetarianos saudáveis e doentes. (Por falar nisso, estudos demonstraram que os vegetarianos tem o sistema imunológico mais resistente do que os carnívoros.)

Quando estiverem em um restaurante com um vegetariano, tenham paciência - comer fora pode ser um desafio mesmo para o mais consumado vegetariano.

Apesar da aceitação em voga da dieta à base de vegetais, a maior parte dos cardápios de restaurantes ainda está repleta de produtos animais. Alguns restaurantes parecem não ter nada a não ser carne em seus cardápios; mesmo as saladas têm ovos ou frango! Não reclamem se seus esforços para determinar os ingredientes exatos do minestrone parecerem paranóia; a experiência nos ensinou que esses interrogatórios à mesa são necessários. Após anos interrogando garçons e garçonetes, descobri que itens descritos como vegetarianos muitas vezes contém caldo de galinha, banha, ovos, ou outros ingredientes animais.

Não façam caretas para nossos alimentos.

Antes de torcerem o nariz para meu cachorro-quente de soja ou para o tofu, pensem naquilo que vocês estão comendo. Só porque se alimentar de animais é amplamente aceito, isso não significa que não seja uma grosseria.

Percebam que nós provavelmente já ouvimos isso antes.

Uma das coisas mais engraçadas sobre ser veg é a pessoa que tem certeza de ter o argumento que vai mudar minha maneira de pensar. Quase que invariavelmente vêem como uma destas jóias:

(a) "Animais comem outros animais, portanto porque os seres humanos não o fariam?"

Resposta: A maior parte dos animais que mata para se alimentar não sobreviveria se não o fizesse. Esse obviamente não é o caso com os seres humanos. E desde quando usamos os animais como exemplo de comportamento?

(b) "Nossos ancestrais comiam carne."

Resposta: Talvez — mas eles também moravam em cavernas, conversavam aos grunhidos, e tinham escolhas muito limitadas de estilo de vida. Supõe-se que nós já tenhamos evoluído desde aquela época.

Apesar da opinião popular, vocês não têm o direito de esperar que os vegetarianos transijam convicções pessoais em nome da "cortesia".

Pessoas que nunca sonhariam em convidar um alcoólatra recuperado para experimentar sua vodca preferida, ou em querer que alguém que levasse uma vida kosher aceitasse um pouco de bacon, acham perfeitamente razoável esperar que eu coma o bolo de carne da tia Maria porque eu o adorava quando criança e ela ficaria muito ofendida se eu não aceitasse um pouco agora.

Parem de dizer que os seres humanos "precisam" comer carne.

Nós somos a prova viva de que não precisam. Pessoas que sob outros aspectos respeitam minha capacidade de me cuidar recusam-se a acreditar que não tomei a decisão de me tornar vegetariana impulsivamente. Eu fiz muita pesquisa sobre o vegetarianismo — provavelmente mais do que vocês fizeram sobre dieta e nutrição — e estou confiante da escolha que fiz. Vocês conhecem os estudos que demonstram que os carnívoros tem duas vezes mais possibilidade de morrer de problemas cardíacos, 60% mais chance de morrer de câncer e 30% a mais de possibilidade de morrer de outras doenças? Eu não estaria comendo desta maneira se uma extensa pesquisa não tivesse me convencido de que o vegetarianismo é mais saudável e mais ético do que comer carne; uma pergunta mais pertinente seria se você pode justificar a sua dieta.

Por Alison Green - Tradução: Mirian M. Costa

Fonte: Vegetarianismo

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Mulheres

"Sempre tive o maior interesse por elas. Pois as três são umasó, que por mágica se divide e assim se diverte mais, vive mais, e não fica tão sozinha. Elas são sua própria companhia. Meus pais comentam que são como crianças. As três se bastam: quase não saem de casa, vão juntas ao mercado e ao cinema, e ao cemitério onde a alegria descansa.
Quando uma delas morrer, as duas outras vão continuar por aqui, ou será revelado que são uma só, um só corpo será achado na velha casa, numa rua sem saída? Vão achar um corpo e as outras duas nunca mais hão de aparecer?"

Lya Luft, em O Ponto Cego.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Diário de uma dieta


Querido Diário,

Hoje começo a fazer dieta. Preciso perder 8 kg. O médico aconselhou a fazer um diário, onde devo colocar minha alimentação e falar sobre o meu estado de espírito. Sinto-me de volta à adolescência, mas estou muito empolgada com tudo. Por mais que dieta seja dolorosa, quando conseguir entrar naquele vestidinho preto maravilhoso, vai ser tudo de bom.
Primeiro dia de dieta: Um queijo branco. Um copo de diet shake. Meu humor está maravilhoso. Me sinto mais leve. Uma leve dor de cabeça talvez.
Segundo dia de dieta: Uma saladinha básica. Algumas torradas e um copo de iogurte. Ainda me sinto maravilhosa. A cabeça dói um pouquinho mais forte, mas nada que uma aspirina não resolva.
Terceiro dia de dieta: Acordei no meio da madrugada com um barulho esquisito. Achei que fosse ladrão. Mas, depois de um tempo percebi que era o meu próprio estômago. Roncando de dar medo. Tomei um litro de chá. Fiquei mijando o resto da noite.
Anotação: Nunca mais tomo chá de camomila.
Quarto dia de dieta: Estou começando a odiar salada. Me sinto uma vaca mascando capim. Estou meio irritada. Mas acho que é o tempo. Minha cabeça parece um tambor. Janaína comeu uma torta alemã hoje no almoço. Mas eu resisti.
Anotação: Odeio Janaína
Quinto dia de dieta: Juro que se ver mais um pedaço de queijo branco na minha frente, eu vomito! No almoço, a salada parecia rir da minha cara. Gritei com o boy hoje! E com a Janaína. Preciso me acalmar e voltar a me concentrar. Comprei uma revista com a Gisele na capa. Minha meta. Não posso perder o foco.
Sexto dia de dieta: Estou um caco. Não dormi nada essa noite. E o pouco que consegui, sonhei com um pudim de leite. Acho que mataria hoje por um brigadeiro.
Sétimo dia de dieta: Fui ao médico. Emagreci 250 gramas. Tá de sacanagem! A semana toda comendo mato. Só faltando mugir e perdi 250gramas! Ele explicou que isso é normal. Mulher demora mais para emagrecer, ainda mais na minha idade. Ele me chamou de gorda e velha!
Anotação: Procurar outro médico.
Oitavo dia de dieta: Fui acordada hoje por um frango assado. Juro! Ele estava na beirada da cama, dançando can-can.
Anotação: O pessoal do escritório ficou me olhando esquisito hoje, Janaína diz que é porque estou parecendo o Jack do “Iluminado”.
Nono dia de dieta: Não fui trabalhar hoje. O frango assado voltou a me acordar, dançando a dança-do-ventre dessa vez. Passei o dia no sofá vendo tv. Acho que existe um complô. Todos os canais passavam receita culinária. Ensinaram a fazer Torta de morangos, salpicão e sanduíche de rocambole.
Anotação: Comprar outro controle remoto, num acesso de fúria, joguei o meu pela janela.
Décimo dia de dieta: Eu odeio Gisele B.
Décimo-primeiro dia de dieta: Chutei o cachorro da vizinha. Gritei com o porteiro. O boy não entra mais na minha sala e as secretárias encostam na parede quando eu passo.
Décimo-segundo dia de dieta: Sopa.
Anotação: Nunca mais jogo pôquer com o frango assado. Ele rouba.
Décimo-terceiro dia de dieta: A balança não se moveu. Ela não se moveu! Não perdi um mísero grama! Comecei a gargalhar. Assustado, o médico sugeriu um psicólogo. Acho que chegou a falar em psiquiatra. Será que é porque eu o ameacei com um bisturi?
Anotação: Não volto mais ao médico, o frango acha que ele é um charlatão.
Décimo-quarto dia de dieta: O frango me apresentou uns amigos. A picanha é super gente boa, e a torta, embora meio enfezada, é um doce.
Décimo-quinto dia de dieta: Matei a Gisele B! Cortei ela em pedacinhos e todas as fotos de modelos magérrimas que tinha em casa.
Anotação: O frango e seus amigos estão chateados comigo. Comi um pedaço do Sr. Pão. Mas foi em legítima defesa. Ele me ameaçou com um pedaço de salame.
Décimo sexto dia: Não estou mais de dieta. Aborrecida com o frango, comi ele junto com o pão. E arrematei com a torta. Ela realmente era um doce…

(Texto retirado de internet, impossível descobrir a autoria)

quinta-feira, 1 de março de 2012

No quiero otros besos...

"No quiero otros besos, ni otros abrazos, ni otro número de teléfono que me llame por las noches. Porque me encanta tu sonrisa, la adoro. Adoro tus abrazos y tus locuras. Me encanta que me hagas reír. Me gusta cuando me miras y cuando sonríes sin ninguna razón. Adoro que me hagas tus tipicas bromas, aunque me enoje y creas que las odio. Adoro tu forma de hablar, tus gestos y tu aroma. Me encanta estar contigo porque se me olvida todo. Supongo que en realidad, no adoro todo eso. Me gusta solamente porque lo haces tu."


(via http://auroraine.blogspot.com/)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Os fantásticos livros voadores do Senhor Lessmore

Linda animação! Sobre bibliotecários, livros, e a transformação que os livros trazem para a vida das pessoas!



E o Oscar vai para..."Os fantásticos livros voadores do Senhor Lessmore"



"The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore", conquistou o Oscar de melhor curta-metragem e animação. É uma história baseada em medidas iguais, no Furacão Katrina, nas performances do ator Buster Keaton, no Mágico de Oz e no amor aos livros, apresenta pessoas que dedicam a sua vida aos livros, e livros que ganham vida para devolver o favor. Usando uma variedade de técnicas (miniaturas, animação por computador, animação 2D) . O ilustrador William Joyce e de Brandon Oldenbrug apresentam um estilo híbrido de animação que remonta a filmes mudos e musicas da MGM.


Ficha técnica
Diretor: William Joyce, Brandon Oldenburg
Produção: Iddo Lampton Enochs Jr., Trish Farnsworth-Smith, Alissa M. Kantrow
Roteiro: William Joyce
Trilha Sonora: John Hunter
Duração: 15 min.
Ano: 2011
País: EUA
Estúdio: Moonbot Studios


Assista agora:


The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore por trailers no Videolog.tv.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Fábio Rex


Fábio Rex é ilustrador, e fez essas versões de clássicos da pintura mundial, que ficaram sensacionais!
Além desses, tem a coleção The perfect Drink. Eu já imaginei vários quadrinhos espalhados pela casa com essas imagens!

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Guernica


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Nascimento de Vênus


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O grito



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Marilyn


A galeria do Fabio Rex está AQUI.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Receita de ano novo




 
Para você ganhar belíssimo Ano Novo 
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?) 





Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta. 
Não precisa chorar arrependido pelas besteiras consumidas 
nem parvamente acreditar que por decreto de esperança 
a partir de janeiro as coisas mudem 
e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, 
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, 
direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver
 

Para ganhar um Ano Novo 
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.


terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Adolie Day

Ilustradora francesa, faz umas bonequinhas lindas, super delicadas. Me pareceu uma mistura de Tim Burton, com Amelie Poulain. Também faz ilustrações de livros infantis.





Pra ver mais coisas lindinhas, é só acessar o blog: http://adolieday.blogspot.com/


sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Falso brilhante


Há o condicionamento de que amor mesmo, de verdade, é gastar metade do salário para a esquadrilha da fumaça assinar o nome da namorada pelos céus de Porto Alegre.

Temos uma noção de que amor mesmo, de verdade, é exibicionista. Depende de surpresas públicas de afeto como serenata na janela, carro de som, anúncios na TV, outdoors com pedido de casamento.

Mulheres e homens se desesperam por um amor público, encantado, de estádio cheio, e cobram provas mirabolantes de seus parceiros. Reclamam da rotina, da previsibilidade, e exigem declarações barulhentas para despertar a inveja do próximo.

O amor espalhafatoso recebe a fama, mas o amor contido é o mais profundo.

Ao procurar o amor empresarial, desprezamos o amor funcionário público, que atende às ligações e escreve nossos memorandos.

Ao perseguir o amor de cinema, desdenhamos o amor de teatro, de quem encena a peça todo dia ao nosso lado, sempre com uma interpretação nova a partir das falas iguais.

Ao cobiçar o amor sensual de lareira e restaurante, apagamos a delícia de comer direto nas panelas, sem pratos, sem medo do garçom.

Ao perseguir a aventura, negamos a permanência.

Preocupados em ser reconhecidos mais do que amar, esquecemos a verdade pessoal e despojada do nosso relacionamento. Recusamos o amor constante, o amor cúmplice.

Não valorizamos a passionalidade silenciosa, a passionalidade humilde, a passionalidade generosa, a passionalidade tímida, a passionalidade artesanal.

O passional pode ser discreto na aparência e prático na ternura.

O amor mais contundente é o que não precisa ser visto para existir. E continuará sendo feito apesar de não ser reparado.

O amor real é secreto. É conservar um pouco de amor platônico dentro do amor correspondido. É reservar as gavetas do armário mais acessíveis para as roupas dela, é deixar que sua mulher tome a última fatia da pizza que você mais gosta, é separar as roupas de noite para não acordá-la de manhã. E nunca falar que isso aconteceu. E não jogar na cara qualquer ação. E não se vangloriar das próprias delicadezas.

Buscá-la no trabalho é o equivalente a oferecer um par de brilhantes. Esperá-la com comida pronta é o equivalente a acolhê-la com um buquê de rosas vermelhas.

São demonstrações sutis, que não dá para contar para os outros, mas que contam muito na hora de acordar para enfrentar a vida.



Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 2, 04/10/2011
Porto Alegre (RS), Edição N° 16846

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Cartas para Ninguém – X



by poetriz

M.
Hoje tive vontade de ligar pra você. Não liguei, você sabe.
Uma afirmação de um amigo ficou martelando na minha cabeça o dia todo: a gente sempre quer mais.
Hoje eu queria esse "mais".
Queria mais reconhecimento, mais respeito no trabalho.
Queria mais sossego e mais lugar na condução pública.
Queria mais saldo na minha conta bancária no fim do mês.
Queria mais sobremesa.
Queria mais fé, mais milagres.
Queria mais filmes divertidos ou românticos pra assistir a noite.
Queria mais passeios de mãos dadas, com você.
E mais nada.
F.
poetriz | out

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Dia Mundial do Vegetarianismo

Foi no dia 1º, mas eu só fiquei sabendo agora. Azar. Ainda vale a divulgação pela segunda sem carne!
Fica a dica!


Estabelecido em 1977 pela Sociedade Vegetariana Norte Americana, é um dia para se celebrar e refletir sobre o impacto que a nossa alimentação tem no meio ambiente e na sociedade e informar sobre as vantagens de uma alimentação vegetariana.
(...)
O fato é que o consumo de carne animal, requer quantidades imensas de solo, combustível, energia e principalmente, água. Para se produzir um quilo de carne de boi são necessários nada menos que 15.000 litros de água, enquanto um quilo de trigo requer 1000 litros. Como se não bastasse, os gases emitidos pela digestão dos bois contabilizam 18% dos gases que causam o efeito estufa, responsável pelo aquecimento global.
Ainda que você não seja vegetariano, celebre esse dia com seus amigos, vegetarianos ou não, evitando o consumo de derivados animais.
Se você é daqueles que não resiste a uma picanha, considere então uma redução em sua ingestão de carne. Eleja um dia da semana para ser o seu “dia vegetariano”. 

(...)
Tem dúvidas sobre os benefícios os benefícios de uma dieta sem carne para a sua saúde? Segundo a American Dietetic Association, "... dietas vegetarianas bem preparadas são saudáveis, nutricionalmente adequadas, e proporcionam benefícios de saúde na prevenção e tratamento de diversas doenças."
Por fim, mas não menos importante, vem a questão do respeito aos animais. Porcos, vacas, galinhas, perus, peixes, coelhos, cabritos..., destinados majoritariamente ao abate, são animais sensíveis e inteligentes. Estudos científicos recentes comprovam: eles experimentam emoções como o medo e a angústia e sentem dor exatamente como nós, seres humanos. Ainda assim, todos os anos, a indústria da carne submete bilhões de animais a maus tratos, confinamento, manejo brutal e morte cruel. Será que isso está certo?




quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Racionalmente

Era bobagem enfrentar racionalmente a sólida barreira do irracional de que é constituída, como se diz, a alma feminina. Desde o começo nossa discussão se realizava sob maus auspícios.


Milan Kundera in "Risíveis Amores"

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Felicidade

Como se alguém pudesse regressar ao lugar onde foi infeliz. Não se é duas vezes infeliz da mesma maneira, e ninguém é feliz de maneira nenhuma. Inventamos aquilo de que nos queremos lembrar, isso sim.


Inês Pedrosa in "Eternidade e o desejo"


quinta-feira, 8 de setembro de 2011

É Punk!

Não concordo integralmente com o texto, mas gostei muito do ponto de vista. Também não estou apaixonada, nem amando enlouquecidamente. Mas concordo com a autora, não quero paixonites, não quero altas emoções, nunca tive paciência para jogos, esperar um telefonema, medir as palavras.
Eu quero a sorte de um amor tranquilo, quero ver filmes bobos na televisão, deitar no sol pra tomar um chimarrão, tomar um vinho em casa... 
Pode ser que essa vontade seja muito mais uma adaptação à falta de vontade de sair na noite, meus bares do coração estão fechando, pouco a pouco. Ou então não são mais os mesmos, mudaram de público, de lugar, de preços. Mudaram eles, ou mudei eu?
Seja como for, vale a pena gastar uns minutinhos lendo o texto.
Deixe de lado meus devaneios confusos.


                                                                                                                                                       


AMAR É PUNK


Eu já passei da idade de ter um tipo físico de homem ideal para eu me relacionar. Antes, só se fosse estranho (bem estranho). Tivesse um figurino perturbado. Gostasse de rock mais que tudo. Tivesse no mínimo um piercing (e uma tatuagem gigante). Soubesse tocar algum instrumento. E usasse All Star.
Uma coisa meio Dave Grohl.
Hoje em dia eu continuo insistindo no quesito All Star e rock'n roll, mas confesso que muita coisa mudou. É, pessoal, não tem jeito. Relacionamento a gente constrói. Dia após dia. Dosando paciência, silêncios e longas conversas. Engraçado que quando a gente pára de acreditar em "amor da vida", um amor pra vida da gente aparece. Sem o glamour da alma gêmea. Sem as promessas de ser pra sempre. Sem borboletas no estômago. Sem noites de insônia. É uma coisa simples do tipo: você conhece o cara. Começa, aos poucos, a admirá-lo. A achá-lo FODA. E, quando vê, você tá fazendo coraçãozinho com a mão igual uma pangaré. (E escrevendo textos no blog para que ele entenda uma coisa: dessa vez, meu caro, é DIFERENTE).
Adeus expectativas irreais, adeus sonhos de adolescente. Ele vai esquecer todo mês o aniversário de namoro, mas vai se lembrar sempre que você gosta do seu pão-de-sal bem branco (e com muito queijo). Ele não vai fazer declarações românticas e jantares à luz de vela, mas vai saber que você está de TPM no primeiro "Oi", te perdoando docemente de qualquer frase dita com mais rispidez. 
Ah, gente, sei lá. Descobri que gosto mesmo é do tal amor. Da paixão, não. Depois de anos escrevendo sobre querer alguém que me tire o chão, que me roube o ar, venho humildemente me retificar. Eu quero alguém que divida o chão comigo.  Quero alguém que me traga fôlego. Entenderam? Quero dormir abraçada sem susto. Quero acordar e ver que (aconteça o que acontecer), tudo vai estar em seu lugar. Sem ansiedades. Sem montanhas-russas.
Antes eu achava que, se não tivesse paixão, eu iria parar de escrever, minha inspiração iria acabar e meus futuros livros iriam pra seção B da auto-ajuda, com um monte de margaridinhas na capa. Mas, caramba! Descobri que não é nada disso. Não existe nada mais contestador do que amar uma pessoa só. Amar é ser rebelde. É atravessar o escuro. É, no meu caso, mudar o conceito de tudo o que já pensei que pudesse ser amor. Não, antes era paixão. Antes era imaturidade. Antes era uma procura por mim mesma que não tinha acontecido.
Sei que já falei muito sobre amor, acho que é o grande tema da vida da gente. Mas amor não é só poesia e refrões. Amor é reconstrução. É ritmo. Pausas. Desafinos. E desafios.
Demorei anos pra concordar com meu querido (e sempre citado) Cazuza: "eu quero um amor tranqüilo, com sabor de fruta mordida"
Antes, ao ouvir essa música, eu sempre pensava (e não dizia): porra, que tédio!
Ah, Cazuza! Ele sempre soube. Paixão é para os fracos. Mas amar - ah, o amor! - AMAR É PUNK.


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