Mostrando postagens com marcador belizariando. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador belizariando. Mostrar todas as postagens

domingo, 2 de setembro de 2012

Só há caminho



É de barro!
E é vermelho!
Como no horizonte a lagrimar...
É o sol que vem lambendo,
Juntando poeira e vento...
na imensidão do que está pra chegar.

São longas estradas...
Que importa!
Se chegar não é meu compromisso,
e o que me interessa mesmo é caminhar...

No olho do que não sabe ler,
Mas (des)entende o mundo no seu resistir...
Na boca de quem canta o amor,
Mas padece em solidão...
São todos soldados do porvir!

É chão batido!
Pé descalço!
Por tantas vezes escorregadio...
E tomes muito cuidado,
com as frustradas estrofes,
de gente que já desistiu, e não mais sorriu...

Daqui a tua mão!
Sigamos a passos largos,
 no mundo correremos!
E mesmo de encruzilhada em encruzilhada,
logo chegarão novos ventos...

Ainda há chão!
É de barro!
E é vermelho!
E o que interessa mesmo é caminhar.

Belizário, Inverno/12

sexta-feira, 18 de março de 2011

A fruta aberta

Um presente para Belizario, que apesar da distância,
se mantém sempre presente, constante e intenso,
como sempre foi. Nos meus pensamentos,
nas minhas palavras, na minha alma, na minha boca. 


Agora sei quem sou.
Sou pouco, mas sei muito,
porque sei o poder imenso
que morava comigo,
mas adormecido como um peixe grande
no fundo escuro e silencioso do rio
e que hoje é como uma árvore
plantada bem alta no meio da minha vida.


Agora sei as coisa como são.
Sei porque a água escorre meiga
e porque acalanto é o seu ruído
na noite estrelada
que se deita no chão da nova casa.
Agora sei as coisas poderosas
que valem dentro de um homem.


Aprendi contigo, amada.
Aprendi com a tua beleza,
com a macia beleza de tuas mãos,
teus longos dedos de pétalas de prata,
a ternura oceânica do teu olhar,
verde de todas as cores
e sem nenhum horizonte;
com  tua pele fresca e enluarada,
a tua infância permanente,
tua sabedoria fabulária
brilhando distraída no teu rosto.


Grandes coisas simples aprendi contigo,
com o teu parentesco com os mitos mais terrestres,
com as espigas douradas no vento,
com as chuvas de verão
e com as linhas da minha mão.
Contigo aprendi
que o amor reparte
mas sobretudo acrescenta,
e a cada instante mais aprendo
com o teu jeito de andar pela cidade
como se caminhasses de mãos dadas com o ar,
com o teu gosto de erva molhada,
com a luz dos teus dentes,
tuas delicadezas secretas,
a alegria do teu amor maravilhado,
e com a tua voz radiosa
que sai da tua boca
inesperada como um arco-íris
partindo ao meio e unindo os extremos da vida,
e mostrando a verdade
como uma fruta aberta.

Thiago de Mello