sexta-feira, 4 de abril de 2014

Estupro: onde mora o perigo?


A recente pesquisa divulgada pelo IPEA “Estupro no Brasil: uma radiografia da violência” teve um papel pedagógico nas discussões públicas sobre o tema da violência sexual no Brasil. Trouxe para luz do dia a obtusidade agressiva e animalesca que se esconde nos porões da consciência individual de muita gente. Detectou concepções que revelam completa incapacidade de alguns para viver em sociedades, seja qual for seu grau de educação formal.
Um dado importante da pesquisa, dentre outros igualmente fundamentais para entender ou estimar em que ponto está a percepção do brasileiro sobre as condições de violência contra mulher, diz respeito à ideia de que a culpa pela violência sexual sofrida pela mulher reside nela mesma, em particular pelo modo como se veste.
Ao serem perguntados se mulheres que usam roupa mostrando o corpo merecem ser atacadas, nada menos que 65,1% dos entrevistados afirmaram que sim, concordavam total ou parcialmente com a afirmação. Mais ainda. Para 58,2% dos pesquisados, se a mulher soubesse se comportar, haveria menos estupros.
Os números ganharam repercussão nas redes sociais e um movimento #NãoMereçoSerEstuprada iniciado pela jornalista Nana Queiroz ajudou a disseminar o debate, nem sempre com opiniões razoáveis. Segundo Nana, “amanheci de uma noite conturbada. Acreditei na pesquisa do Ipea e experimentei na pele sua fúria. Homens me escreveram ameaçando me estuprar se me encontrassem na rua, mulheres escreveram desejando que eu fosse estuprada”. Nana, no entanto, ganhou reforço de peso na sua luta corajosa. A presidenta Dilma Roussef usou seu twitter para apoiá-la. E mais recentemente personagens como Daniela Mercury emprestaram sua imagem em um nítido apoio ao movimento.
Ao mesmo tempo em que a pesquisa do IPEA ganhou tanta repercussão, uma nota técnica também do instituto, e que infelizmente não ganhou a mesma visibilidade, divulga números essenciais para evidenciar que a percepção da culpabilidade feminina pela agressão sexual sofrida é apenas isso, uma percepção, e está anos luz da brutal realidade, em termos de violência sexual, de fato vivenciada pelas mulheres. O submundo de abusos mostrado por essa nota é bem mais alarmante.
O estudo foi produzido a partir dos dados do Sinan (Sistema de Agravos de Notificação) [dá para gerar os relatório aqui] base gerenciada pelo Departamento de análise de Situação de Saúde, vinculado ao Ministério da Saúde. Em 2011, as notificações tratando de violência doméstica e sexual foram incorporadas ao sistema. Apoiando-se nelas, os pesquisadores debruçaram-se para trazer à tona um diagnóstico que foge do senso comum sobre a violência sexual praticada contra a mulher.
Como já esperado, a quase totalidade das vítimas de abusos sexuais é mulher, sendo 88,5%. Entretanto, um dado valioso, diz respeito à faixa etária. Nada menos que metade das vítimas são crianças até 13 anos de idade. Se somados com jovens e adolescentes de 14 a 17 anos (19,4% do total) crianças e adolescentes perfazem o total de pouco mais de 70% das vítimas. Bem, o que não surpreende é que quase 100% dos agressores sejam homens.


Se 70% dos agredidos são crianças, jovens e adolescentes, cabe uma questão. Onde essa violência ocorre? Se você fez essa pergunta, provavelmente já tem a resposta. É no lar. Dentro de casa. São 79% dos casos entre crianças; 67%, entre adolescentes e 65% dos casos entre adultos. E se você chegou até aqui, saiba que poderá se assustar um pouco mais. Entre crianças, apenas 12,6% dos casos de violência são praticados por desconhecidos. Isso mesmo. Os atos de violência sexual praticados contra criança acontecem na inviolabilidade do lar, por pessoas conhecidas ou muito próximas das vítimas. Os números se distribuem do seguinte modo: em 11,8% dos casos, o agressor é o pai; 12,3%, o padrasto; 7,1%, namorado; por fim, 32,2% amigo.
Ou seja, o perigo não mora ao lado mas, literalmente, dentro de casa. Se somados, parentes, amigos e conhecidos são 63,4% dos agressores de crianças. Não custa lembrar, metade das vítimas.
Naturalmente, não se pode dizer que crianças se vistam de um modo provocativo ou tenham comportamento sedutor a tal ponto que leve as pessoas mais próximas a elas a distúrbios emocionais que resultem em um impulso para a prática de violência sexual. Tudo isso se torna estarrecedor, porque essas vítimas podem sofrer violência durante anos a fio, sem a possibilidade de manifestação do seu martírio.
Isso significa que a resposta positiva dos brasileiros sobre roupas ou comportamentos como determinantes do estupro está calcada numa terrível ignorância que, se por um lado esconde a realidade tal como é, também serve de conveniente sonífero. Sua função é evitar que nossa sociedade se depare com uma visão terrível: há um mundo de mutilação física e psicológica acontecendo debaixo de nossos tetos, envolvendo maridos, ex-maridos, amantes, amigos, conhecidos, e não sabemos absolutamente o que fazer. Parodiando Zé Geraldo, tudo isso acontecendo e a gente aqui na praça dando milho aos pombos.
O estudo conclui com outro dado igualmente assustador. Estima-se que mais de meio milhão de pessoas são estupradas no Brasil anualmente. Dessas, apenas 10% dos casos chegam à polícia. As razões para isso devem ser evidentes, dado que o aparato policial não está preparado para lidar de forma humana com essas mulheres. Os números desse estudo deveriam ser mais aprofundados e deveriam articular entes públicos e a sociedade para enfrentar e quebrar, de forma corajosa, esse pacto de silêncio que insiste em vitimizar todos nós.



Retirado de: http://www.cartacapital.com.br/blogs/outras-palavras/estupro-onde-mora-o-perigo-6452.html

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Sou homem...

"Sou homem. Quando nasci, meu avô parabenizou meu pai por ter tido um filho homem. E agradeceu à minha mãe por ter dado ao meu pai um filho homem. Recebi o nome do meu avô. Quando eu era criança, eu podia brincar de LEGO, porque "Lego é coisa de menino", e isso fez com que minha criatividade e capacidade de resolver problemas fossem estimuladas. Ganhei lava-jatos e postos de gasolina montáveis da HotWheels. Também ganhei uma caixa de ferramentas de plástico, para montar e desmontar carrinhos e caminhões. Isso também estimulava minha criatividade e desenvolvia meu raciocínio, o que é bom para toda criança. Na minha época de escola, as meninas usavam saias e meus amigos levantavam suas saias. Dava uma confusão! E então elas foram proibidas de usar saias. Mas eu nunca vi nenhum menino sendo realmente punido por fazer isso, afinal de contas "Homem é assim mesmo! Puxou o pai esse danadinho" - era o que eu ouvia. Em casa, com meus primos, eu gostava de brincar de casinha com uma priminha. Nós tínhamos por volta de 8 anos. Eu era o papai, ela era a mamãe e as bonecas eram nossas filhinhas. Na brincadeira, quando eu carregava a boneca no colo, minha mãe não deixava: "Larga a boneca, Juninho, é coisa de menina". E o pai da minha priminha, quando via que estávamos brincando juntos, de casinha, não deixava. Dizia que menino tem que brincar com menino e menina com menina, porque "menino é muito estúpido e, principalmente, pra frente". Eu não me achava estúpido e também não entendia o que ele queria dizer com "pra frente", mas obedecia. No natal, minha irmã ganhou uma Barbie e eu uma beyblade. Ela chorou um pouco porque o meu brinquedo era muito mais legal que o dela, mas mamãe todo ano repetia a gafe e comprava para ela uma boneca, um fogãozinho, uma geladeira cor-de-rosa, uma batedeira, um ferro de passar. Quando fiz 15 anos e comecei a namorar, meu pai me comprou algumas camisinhas. Na adolescência, ninguém me criticava quando eu ficava com várias meninas. Atualmente continua assim. Meu pai não briga comigo quando passo a noite fora. Não fica dizendo que tenho que ser um "rapaz de família". Ele nunca me deu um tapa na cara desconfiado de que passei a noite em um motel. Ninguém fica me dando sermão dizendo que eu tenho que ser reservado e me fazer de difícil. Ninguém me julga mal quando quero ficar com uma mulher e tomo a iniciativa. Ninguém fica regulando minhas roupas, dizendo que eu tenho que me cuidar. Ninguém fica repetindo que eu tenho que me cuidar porque "mulher só pensa em sexo". Ninguém acha que minhas namoradas só estavam comigo para conseguir sexo. Ninguém pensa que, ao transar, estou me submetendo à vontade da minha parceira. Ninguém demoniza meus orgasmos. Nunca fui julgado por carregar camisinha na mochila e na carteira. Nunca tive que esconder minhas camisinhas dos meus pais. Nunca me disseram para me casar virgem por ser homem. Nunca ficaram repetindo para mim que "Homem tem que se valorizar" ou "se dar ao respeito". Aparentemente, meu sexo já faz com que eu tenha respeito. Quando saio na rua ninguém me chama de "delícia". Nenhuma desconhecida enche a boca e me chama de “gostoso” de forma agressiva. Eu posso andar na rua tomando um sorvete tranquilamente, porque sei que não vou ouvir nada como “Larga esse sorvete e vem me chupar”. Eu posso até andar na rua comendo uma banana. Nunca tive que atravessar a rua, mesmo que lá estivesse batendo um sol infernal, para desviar de um grupo de mulheres num bar, que provavelmente vão me cantar quando eu passar, me deixando envergonhado. Nunca tive que fazer caminhada de moletom porque meu short deixa minhas pernas de fora e isso pode ser perigoso. Nunca ouvi alguém me chamando de “Desavergonhado” porque saí sem camisa. Ninguém tenta regular minhas roupas de malhar. Ninguém tenta regular minhas roupas. Eu nunca fui seguido por uma mulher em um carro enquanto voltava para casa a pé. Eu posso pegar o metrô lotado todos os dias com a certeza que nenhuma mulher vai ficar se esfregando em mim, para filmar e lançar depois em algum site de putaria. Nunca precisaram criar vagões exclusivamente para homens em nenhuma cidade que conheço. Nunca ouvi falar que alguém do meu sexo foi estuprado por uma multidão. Eu posso pegar ônibus sozinho de madrugada. Quando não estou carregando nada de valor, não continuo com medo pelo risco ser estuprado a qualquer momento, em qualquer esquina. Esse risco não existe na cabeça das pessoas do meu sexo. Quando saio à noite, posso usar a roupa que quiser. Se eu sofrer algum tipo de violência, ninguém me culpa porque eu estava bêbado ou por causa das minhas roupas. Se, algum dia, eu fosse estuprado, ninguém iria dizer que a culpa era minha, que eu estava em um lugar inadequado, que eu estava com a roupa indecente. Ninguém tentaria justificar o ato do estuprador com base no meu comportamento. Eu serei tratado como VÍTIMA e só. Ninguém me acha vulgar quando faz frio e meu “farol” fica “aceso”. Quando transo com uma mulher logo no primeiro encontro sou praticamente aplaudido de pé. Ninguém me chama de “vagabundo”, “fácil”, “puto” ou “vadio” por fazer sexo casual às vezes. 99% dos sites de pornografia são feitos para agradar a mim e aos homens em geral. Ninguém fica chocado quando eu digo que assisto pornôs. Ninguém nunca vai me julgar se eu disser que adoro sexo. Ninguém nunca vai me julgar se me ver lendo literatura erótica. Ninguém fica chocado se eu disser que me masturbo. Nenhuma sogra vai dizer para a filha não se casar comigo porque não sou virgem. Ninguém me critica por investir na minha vida profissional. Quando ocupo o mesmo cargo que uma mulher em uma empresa, meu salário nunca é menor que o dela. Se sou promovido, ninguém faz fofoca dizendo que dormi com minha chefe. As pessoas acreditam no meu mérito. Se tenho que viajar a trabalho e deixar meus filhos apenas com a mãe por alguns dias, ninguém me chama de irresponsável. Ninguém acha anormal se, aos 30 anos, eu ainda não tiver filhos. Ninguém palpita sobre minha orientação sexual por causa do tamanho do meu cabelo. Quando meus cabelos começarem a ficar grisalhos, vão achar sexy e ninguém vai me chamar de desleixado. A sociedade não encara minha virgindade como um troféu. 90% das vagas do serviço militar são destinadas às pessoas do meu sexo. Mesmo quando se trata de cargos de alto escalão, em que o oficial só mexe com papelada e gerência. Se eu sair com uma determinada roupa ninguém vai dizer “Esse aí tá pedindo”. Se eu estiver em um baile funk e uma mulher fizer sexo oral em mim, não sou eu quem sou ofendido. Ninguém me chama de "vagabundo" e nem diz "depois fica postando frases de amor no Facebook". Se vazar um vídeo em que eu esteja transando com uma mulher em público, ninguém vai me xingar, criticar, apedrejar. Não serei o piranha, o vadio, o sem valor, o vagabundo, o cachorro. Estarei apenas sendo homem. Cumprindo meu papel de macho alpha perante a sociedade. Se eu levar uma vida putona, mas depois me apaixonar por uma mulher só, as pessoas acham lindo. Ninguém me julga pelo meu passado. Ninguém diz que é falta de higiene se eu não me depilar. Ninguém me julgaria por ser pai solteiro. Pelo contrário, eu seria visto como um herói. Nunca serei proibido de ocupar um cargo alto na Igreja Católica por ser homem. Nunca apanhei por ser homem. Nunca fui obrigado a cuidar das tarefas da casa por ser homem. Nunca me obrigaram a aprender a cozinhar por ser homem. Ninguém diz que meu lugar é na cozinha por ser homem. Ninguém diz que não posso falar palavrão por ser homem. Ninguém diz que não posso beber por ser homem. Ninguém olha feio para o meu prato se eu colocar muita comida. Ninguém justifica meu mau humor falando dos meus hormônios. Nunca fizeram piadas que subjugam minha inteligência por ser homem. Quando cometo alguma gafe no trânsito ninguém diz “Tinha que ser homem mesmo!” Quando sou simpático com uma mulher, ela não deduz que “estou dando mole”. Se eu fizer uma tatuagem, ninguém vai dizer que sou um “puto”. Ninguém acha que meu corpo serve exclusivamente para dar prazer ao sexo oposto. Ninguém acha que terei de ser submisso a uma futura esposa. Nunca fui julgado por beber cerveja em uma roda onde eu era o único homem. Nunca me encaixo como público-alvo nas propagandas de produtos de limpeza. Sempre me encaixo como público-alvo nas propagandas de cerveja. Nunca me perguntaram se minha namorada me deixa cortar o cabelo. Eu corto quando quero e as pessoas entendem isso. Não há um trote na USP que promove minha humilhação e objetificação. A sociedade não separa as pessoas do meu sexo em “para casar” e “para putaria”. Quando eu digo “Não” ninguém acha que estou fazendo charme. Não é não. Não preciso regrar minhas roupas para evitar que uma mulher peque ou caia em tentação. As pessoas do meu sexo não foram estupradas a cada 40 minutos em SP no ano passado. As pessoas do meu sexo não são estupradas a cada 12 segundos no Brasil. As pessoas do meu sexo não são estupradas por uma multidão nas manifestações do Egito. Não sou homem. Mas, se você é, é fundamental admitir que a sociedade INTEIRA precisa do Feminismo. Não minimize uma dor que você não conhece." 
Autor Desconhecido 

PS. Acho que é importante grifar que o texto se refere a um homem heterossexual. Não ao homossexual, não ao trans.

E ainda tem gente que acha feminismo um exagero...

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Deus, segundo Spinoza, teria dito:


“Pára de ficar rezando e batendo o peito!
O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida.
Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.

Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste
e que acreditas ser a minha casa.
Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias.
Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.

Pára de me culpar da tua vida miserável:
Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau.
O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria.
Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.

Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo.
Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho...
Não me encontrarás em nenhum livro!

Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?

Pára de ter tanto medo de mim.
Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo.
Eu sou puro amor.

Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar.
Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres,
de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio.
Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti?
Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez?

Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos
que não se comportem bem, pelo resto da eternidade?
Que tipo de Deus pode fazer isso?

Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei;
essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti.
Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti.
A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida,
que teu estado de alerta seja teu guia.

Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho,
nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso.
Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.

Eu te fiz absolutamente livre.
Não há prêmios nem castigos.
Não há pecados nem virtudes.
Ninguém leva um placar.
Ninguém leva um registro.

Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.

Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho.
Vive como se não o houvesse.
Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar,
de amar, de existir.

Assim, se não há nada,
terás aproveitado da oportunidade que te dei.

E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não.
Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste...
Do que mais gostaste? O que aprendeste?

Pára de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar.
Eu não quero que acredites em mim.
Quero que me sintas em ti.
Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada,
quando agasalhas tua filhinha,
quando acaricias teu cachorro,
quando tomas banho no mar.

Pára de louvar-me!
Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja?
Me aborrece que me louvem.
Me cansa que agradeçam.
Tu te sentes grato?
Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo.

Te sentes olhado, surpreendido?...
Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.

Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim.
A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo,
e que este mundo está cheio de maravilhas.

Para que precisas de mais milagres?
Para que tantas explicações?

Não me procures fora!
Não me acharás.
Procura-me dentro...
aí é que estou,
batendo em ti.

Baruch Espinosa (Filósofo-pensador [1632-1677] Amsterdã - Haia)

terça-feira, 12 de março de 2013

Dia do Bibliotecário

Dia 12 de março comemoramos o Dia do Bibliotecário.

Esse dia passou a ser comemorado a partir do Decreto nº 84.631, de 09 de abril de 1980 que trata da Semana Nacional do Livro e da Biblioteca e o Dia do Bibliotecário.
Art. 4º – Fica instituído o Dia do Bibliotecário, a ser comemorado em todo o território nacional a 12 de março, data do nascimento do bibliotecário, escritor e poeta Manuel Bastos Tigre.
 
Um Parabéns muito especial…

Nós que precisamos explicar quase todos os dias o que significa Biblioteconomia,
Nós que precisamos explicar pq são necessários 4 anos para se formar bibliotecário,
Nós que com toda dedicação ampliamos nosso mercado de atuação,
Nós que somos os profissionais da informação e temos feito a diferença no ambiente de negócios,
Nós que ajudamos universitários nas suas pesquisas, orientando e incentivando,
Nós que entendemos que a leitura é capaz de mudar a sociedade,
Nós que elaboramos relatórios de mercado e analisamos os dados,
Nós que cuidamos da memória da sociedade,
Nós que organizamos livros nas estantes e produtos em lojas online,
Nós que trabalhamos sempre pensando no que é melhor pro usuário,
Nós que estamos a todo tempo atualizando os especialistas,
Nós que colocamos luvas, máscara, touca, roupão e óculos de proteção só para cuidar dos livros raros,
Nós que incentivamos as crianças a ler,
Nós que andamos por ai com nossos tablets e smartphones pesquisando e disseminando informação na web,
Nós que usamos ebooks, mas que não abrimos mão dos livros em papel,
Nós que somos chamados de carregadores de livros, e temos orgulho por carregar o pensamento e o trabalho de quem dedicou a vida a escrever,
Nós que somos chamados de chatos ao pedir silêncio, mas que sabemos o valor da concentração durante o estudo,
Nós que diariamente trabalhamos e nos dedicamos a valorização da Biblioteconomia…

Que o dia 12 de março seja muito bem comemorado por todos nós!
Valorize o profissional bibliotecário!


“A informação leva você mais longe. Bibliotecário leva você até ela” (Sistema CFB)

segunda-feira, 11 de março de 2013

Sempre que tomo uma decisão, é como se fosse para sempre. Não me desabo para mudanças que acho que serão por pouco tempo. Isso é parte de mim, sempre tive essa mania. Um namoro, é pra durar para sempre, um emprego, é pra ficar até me aposentar. Uma mudança de casa, é pra ficar muitos e muitos anos. Claro que nada nunca foi eterno. Nem tive a ilusão que seria, mas minha atitude é essa.
Dessa vez ainda não sinto esse "para sempre". Ainda não me sinto em casa, ainda não me encaixei.
Me sinto insegura, com medo, sozinha.
Sempre gostei de ficar sozinha, moro sozinha faz anos, mas pela primeira vez, me sinto só. E não é bom.
Tem dias que a coisa funciona melhor, mas hoje, especialmente hoje, na segunda feira das lamentações, me sinto só.
O bom da vida, é que as coisas mudam, alias, as ultimas mudanças foram muito positivas, mas eu já estou com saudade de me acomodar.
Eterna insatisfação.
Por isso tem gente que prefere cachorros.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Mais um 8 de março

No dia de hoje, há muito para se comemorar, mas ainda muito pelo que lutar! Parabéns pelas conquistas de outras mulheres de outros tempos, graças a elas podemos trabalhar, votar, beber, falar palavrão, morar sozinha, fazer faculdade, virar presidente e dar pra quem quiser!
Mas ainda temos muito pra conquistar, muitas cabeças ocas de mentes fechadas para abrir e mostrar que piadinhas forno-fogão não tem graça, que violência não se justifica nunca, e que uma cantada não vai deixar o meu dia melhor!
Vivemos num país que idolatra nudez feminina no carnaval, mas joga palavras de violência e incentivo ao estupro para mulheres vão participar da pedalada pelada, da marcha das vadias ou que vai de roupa curta para a aula.
Um pais onde uma mulher é estuprada a cada 12 segundos.
Um país que está na 7ª posição no Ranking mundial de violência contra a mulher.
Um país onde as mulheres ganham em média 30% menos que os homens, mesmo com mais instrução.
Muitas mulheres receberão flores hoje. Mulheres, façam o favor de lembrar a quem presenteia, que o dia de hoje é uma homenagem para uma tragédia de muitos anos atrás. Mulheres operárias trancadas numa fábrica, para trabalharem mais, mais e mais. As portas trancadas pelos patrões, foram responsáveis pela morte de trocentas operárias. As manifestações, além de uma homenagem, são uma comemoração às conquistas femininas em vários âmbitos da sociedade, e uma lembrança que muito ainda deve ser feito.


Um pouco de história

Há mais de uma versão para a origem do Dia Internacional da Mulher, mas todas remetem a greves de trabalhadoras de fábricas têxteis desde a Revolução Industrial, no século 19. Em 8 de março de 1857, tecelãs de Nova York realizaram uma marcha por melhores condições de trabalho, diminuição da carga horária e igualdade de direitos. Na época, a jornada de trabalho feminino chegava a 16 horas diárias, com salários até 60% menores que os dos homens.
Além disso, muitas sofriam agressões físicas e sexuais. Uma das versões do desfecho da marcha é a de que as manifestantes teriam sido trancadas na fábrica pelos patrões, que atearam fogo no local, matando cerca de 130 mulheres. O fim mais aceito, porém, é o da interrupção da passeata pela polícia, que dispersou a multidão com violência. A versão do incêndio é, provavelmente, uma confusão com a tragédia da fábrica Triangle Shirtwaist Company, em 25 de março de 1911. O fogo matou mais de 150 mulheres, com idades entre 13 e 25 anos, na maioria imigrantes italianas e judias.
A falta de medidas de segurança do local - as portas teriam sido trancadas para evitar a saída das empregadas - foi apontada como o motivo do alto número de mortes. O episódio foi um marco na história do trabalho operário americano. Vários protestos se seguiram nos 8 de março seguintes. Um dos mais notáveis - também reprimido pela polícia - ocorreu em 1908, quando 15 mil operárias protestaram por seus direitos.
Em 1910, na Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, na Dinamarca, a alemã Clara Zetkin propôs que a data fosse usada para comemorar as greves americanas e homenagear mulheres de todo o mundo. A greve das trabalhadoras de Petrogrado (atual São Petersburgo), na Rússia, em 23 de fevereiro de 1917 (8 de março no calendário ocidental), também foi um marco da data. Hoje, ela é símbolo da luta pelos direitos da mulher, e foi oficializada pela Unesco em 1977.













Fonte: Taddeo, Luciana. Dia internacional de mulher: por que essa data é comemorada no dia 8 de março? Disponível em: . Acesso em 08 mar. 2013.
 



Para saber mais...

Waiselfisz, Julio Jacobo (Coord.).  Atualização: Homicídio de mulheres no Brasil. São Paulo: Flacso/CEBELA, 2012. (Mapa da violência 2012). Disponível em: <http://mapadaviolencia.org.br/mapa2012_mulheres.php>. Acesso em: 08 mar. 2013.

A CADA 12 segundos, uma mulher é estuprada no Brasil. Disponível em: <http://www.juspodivm.com.br/noticias/noticias_1410.html>. Acesso em: 08 mar. 2013.


sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A queda do tatu-cola

O que me deixa mais triste, não é a policia dando porrada nos manifestantes, não é a copa, as privatizações, o vandalismo, nada disso. O que acaba comigo, são as críticas de quem não estava lá, e não entende a gravidade do que está acontecendo! 
Não é "coisa de desocupado", é o povo se manifestando e defendendo a democracia!
Vi tantos comentários dizendo que a galera merecia apanhar, e isso me da muito medo! 
A democracia está a perigo. A liberdade está a perigo. A cultura está a perigo.
Não me surpreenderia se qualquer dia desses vier um AI 6 por ai...



Pra saber mais, leia a matéria do Sul 21, foi o relato mais coerente que achei.


Precisa espancar a galera? Pra defender um boneco de plastico sem nome, que representa uma copa do mundo que grande parte da população nao quer? Ele representa interesses privados, e a repressão dos espaços publicos de cultura. Policiais mal preparados, que interpretam gritos de alegria e insatisfação como afronta a ordem publica. Pelo que sei, a policia atacou os manifestantes primeiro. E usou gas, balas de borracha e muita porrada contra cartazes e balões coloridos.

Muitos foram presos, mas nesse período eleitoral, ninguém pode ser preso! Porto Alegre cada vez mais careta e repressora! Mas o povo não se cala! Jamais!


domingo, 2 de setembro de 2012

Só há caminho



É de barro!
E é vermelho!
Como no horizonte a lagrimar...
É o sol que vem lambendo,
Juntando poeira e vento...
na imensidão do que está pra chegar.

São longas estradas...
Que importa!
Se chegar não é meu compromisso,
e o que me interessa mesmo é caminhar...

No olho do que não sabe ler,
Mas (des)entende o mundo no seu resistir...
Na boca de quem canta o amor,
Mas padece em solidão...
São todos soldados do porvir!

É chão batido!
Pé descalço!
Por tantas vezes escorregadio...
E tomes muito cuidado,
com as frustradas estrofes,
de gente que já desistiu, e não mais sorriu...

Daqui a tua mão!
Sigamos a passos largos,
 no mundo correremos!
E mesmo de encruzilhada em encruzilhada,
logo chegarão novos ventos...

Ainda há chão!
É de barro!
E é vermelho!
E o que interessa mesmo é caminhar.

Belizário, Inverno/12

Enfim


Chegou então? Nem reparei que já estava na hora. Seja bem vinda, espero que seja uma visita muito agradável como a que acabou de sair. Sabe que vocês são bem parecidas? Sério! Pois então, só muda um pouco o olhar, experiente talvez? Não, experienciado mesmo. Aconteceu tanta coisa com ela, nossa. E sou muito grata por cada uma dessas experiências.
Só pra você já ir se acostumando: foi um ano de realizações, concurso, namoro, academia, faculdade... defendi meu tcc, e me formei. Com A! Tirei meu CRB: 10/2186. Fui chamada num concurso (ok, não é o melhor concurso que já fiz, mas por hora está servindo.), estou trampando horrores, e mudando diversos paradigmas. Estou namorando. Sim, amo. Sim, tenho várias dúvidas. Claro, também acho. Devem ser os calos das experiências passadas. Provavelmente é. E sei que faço várias coisas lembrando das cicatrizes passadas. Saudade de quando era mais nova, e mais inocente, que acreditava que o amor não podia doer e que era simples. É só amor, misturado e intensificando em todo o resto.
Entrei na academia, como parte do meu plano para antes dos 30. Acabei engordando, acredita? Choquei também. Essa semana nem fui, mas segunda feira to voltando.
O bom é que tu ta chegando agora, hoje, nesse exato momento que dei a volta por cima dos meus próprios fantasmas, e me dei conta de como tudo vai se ajeitando.
Recebi um lindo poema hoje:

Se chegar não é meu compromisso,
o que me interessa mesmo é caminhar...

É isso mesmo, mais simplicidade, menos preocupação, menos drama, menos conflito. não vou ficar pensando demais sobre como está, e vou focar no como vai ser. Quero viajar, me tatuar, fazer outra faculdade, ou uma pós quem sabe? Por hora, me basta este sentimento. Não é comum sentir. Acho que estou feliz, só isso. Dormir sem preocupação faz toda a diferença.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

28

Mais um post sobre aniversários. Mais uma vez chegou setembro, me deixando mais próxima da idade de Balzac. Nunca fui mega pilhada com aniversários, mas esse em especial... estou cagando mais ainda! Posso não ter vontade de ir na minha própria festa? Tem problema se eu quiser ficar em casa, deitadinha, sem fazer nada, de olhos fechados? De preferência com uma chuva na rua.
A verdade é que nos ultimos dias, não sinto vontade de muita coisa. Faço tudo no automático: acordar, sair, pegar o trem, bater ponto, ligar o pc, fazer empréstimos, olhar emails, almoçar, o mesmo de tarde, voltar pra casa, etc. Na volta, quase não me importo com o trem abarrotado de gente, não falo, não olho, não me importo. Tem horas que me dá um dor no peito, uma vontade de chorar que bate do nada. Sem motivo aparente, sem nada acontecer. Só me dá vontade de chorar. Isso me faz pensar que estou com problemas. Bom, estou sim. E o próximo que me disser pra ter calma vai levar uma voadora na cara!
Devo andar com uma cara péssima. Até a diretora do colégio perguntou se estava tudo bem, mas daquele jeito dela, correndo, com pressa, dando 30 segundos de atenção pra cada pessoa porque o dia dela é tão cheio que não permite mais do que isso. Outro me deu um chocolate pra ver se eu me animava. Outra veio perguntar da minha família. Enfim, estou chamando atenção, quando tudo que eu quero é sumir do mapa.
Amanhã é minha festa de aniversário. Não quero ir.
Não quero ver o meu namorado, não quero falar com ninguém, não estou a fim de conversa fiada com ninguém sobre nada. Só quero dormir, a semana inteira.
Meus presentes estão aqui na sala, do meu lado. Não estou com vontade de abrir.
Ah, Balzac, me ajuda! Ta ficando bem difícil.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Hoje em dia estou convencido de que um ser humano deveria sempre preservar sua mente serena e em paz, nunca permitindo que uma paixão ou um desejo passageiro perturbe sua tranquilidade. Se algo que você faz, mesmo sendo um estudo, enfraquece seus afetos e destrói seu gosto pelos prazeres simples onde nada de mal pode haver, então essa sua atividade não é boa, não convém à mente humana.

Mary Shelley in Frankenstein.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Mais uma primavera

A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.

Quando se vê, já são 6 horas…

Quando se vê, já é 6ª-feira…

Quando se vê, passaram 60 anos…


Agora, é tarde demais para ser reprovado…


E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,


eu nem olhava o relógio.


seguia sempre, sempre em frente…


E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.



Mário Quintana



Imagem inline 1

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Uma pitada de leveza


A leveza é uma coisa tão difícil de descrever. Ao menos pra mim. Não é algo que a gente possa ver, pegar. Não é bem um sentimento. Não é algo que se deseje possuir. Mas é, sem dúvidas, uma coisa que a gente precisa ter na vida.
Colocar uma pitada de leveza no nosso dia faz com que a gente se sinta melhor. Seja parando um pouco pra respirar. Seja trocando uma palavra de carinho. Um beijo. Um abraço. Seja, simplesmente, olhando lá fora. Não existe uma fórmula para leveza. Pode estar na vista da sua janela, no seu café da manhã ou num momento de inspiração no meio da tarde.
É algo que a gente precisa quando sentimos aquele peso da vida, sabe? Aquele momento de estresse, aquele cansaço físico, aquela rotina, aquele sapato apertado. A gente sabe que está precisando de um momento de leveza quando até nos nossos pensamentos a gente consegue sentir o peso das coisas. E, as vezes, como pesa…
Se eu pudesse, eu encheria potes com doses diárias de leveza e distribuiria por aí. No trânsito, nas filas de banco, nas brigas de casais, nas salas de espera dos hospitais, nas reuniões de trabalho, nos telefonemas de cobrança, nos e-mails. Se eu pudesse, seria eu a própria leveza. Para visitar diariamente todos que carregam um peso maior do que podem aguentar. Se eu pudesse, tiraria a mão da frente dos olhos de todo mundo, porque as vezes a leveza está bem na nossa frente mas o peso do dia não nos deixa enxergar.
As vezes, você fica mais leve só de parar para escrever. Só de parar para ler. Para ouvir. Para comer. Para ver. Para amar.
Quando você deixa o pensamento sair vagando por aí. E muitas vezes tem a grata surpresa de encontrar alguma coisa linda. Ou alguém. E preencher um espaço que, mesmo com todo peso do mundo, continuava vazio. Um espaço que só pode ser preenchido por ela, a leveza da vida.
Então, se hoje eu pudesse dar um presente, seria uma pitada de leveza para cada um colocar no seu dia.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Lê pra mim!

História real, aconteceu com meu colega de município.
Ainda existe esperança no mundo.

Diálogo com um aluno do 4º ano. 
- Iai "Sôr"!
- Iaí carinha!
- É hoje que a gente pega o livro?
- É hoje, trouxe o outro?
- Trouxe sim "sôr", bem legal o livro, li naquele dia mesmo.
- Legal tchê, tem que ler bastante mesmo. E tu entendeu a história?

- Entendi sim. É de um rato que mora no interior e vai visitar um amigo rato que mora na cidade. Ele gostou na cidade por que tinha muitas coisas pra fazer mas ele achou muito perigoso e quis voltar logo pro interior, por que é mais calmo.

- Já li esse livro, é bem legal mesmo.
- Li para minha mãe também.
- Hahaha! Ela te cobra pra ver se realmente tu ta lendo os livros é?
- Não, é que ela não sabe ler e fica bem feliz quando conto as histórinhas dos livros pra ela.

Sem mais!

domingo, 27 de maio de 2012

Biblioteca escolar: relatos da vida real

Tudo é uma questão de perspectiva, e toda experiência gera aprendizado.
Ando num momento que nunca na vida imaginei que fosse possível, em um trabalho que nunca imaginei, numa cidade longe, convivendo com pessoas que pertencem a uma realidade que não é a minha.
Nunca estive tão dura de grana.
Nunca acordei tão cedo pra ir trabalhar.
Nunca tive tão pouco tempo pra curtir a minha casa.
Nunca tive tanto trabalho pra fazer num só lugar.
A biblioteca começa do zero, a partir do momento em que eu entrei nela e acredite, isso é muito trabalho! Ainda mais com poucos recursos e pouco tempo. A todo momento crianças entram e saem, professores retiram materiais como se estivessem em casa. Não todos, mas alguns, mais antigos que se consideram com direitos adquiridos por tempo de serviço.
Hoje à noite, minha janta vai ser o que a minha prima trouxe do restaurante que trabalha.
Amanha, vou vender meus vale transporte pra ter alguma grana pra passar a semana.
E o mais bizarro de tudo isso? Eu não estou me importando.
Acredito que vai melhorar, que isso é temporário e o mais importante, estou aprendendo tanta coisa, mas tanta coisa... nunca imaginei.
Vejo essa galera de movimento estudantil e politicagens e tal, com seus discursos, suas falas, suas teorias... cara, só que nunca vivenciou de perto pode ter opiniões de academia e acreditar que elas pertencem à realidade. O mundo real é muito diferente do que Foucalt diz. Desculpa acabar com a utopia de vocês.
Nos primeiros dias de madrugar, pegar trem, dois ônibus, colégio, crianças, barulho, falta de tudo... sério, chorava toda noite quando chegava em casa. Que saudades do meu estágio fácil e bem remunerado. Que saudade da minha zona de conforto! Hoje, depois de duas semanas e muitos litros de floral, ando bem melhor. Quero aproveitar o melhor dessa experiência.
Ser expulso da zona de conforto é uma experiência traumática, mas muito positiva. Depois que a gente se levanta da queda e acostuma com a poeira da estrada, fica muito mais forte do que jamais imaginou que poderia ser.
Estou nesse momento, descobrindo uma força interior incrível. Além de parcerias incríveis, e uma pessoa maravilhosa, que me trouxe apoio, e me ajudou a levantar. Gato, muito obrigada.
E vamos em frente. Que a vida não espera.
A gente tem que aprender a levantar ainda quando está caindo, pra não ser atropelado.


quarta-feira, 16 de maio de 2012