domingo, 19 de junho de 2011
O SOBREVIVENTE
Impossível compor um poema a essa altura da evolução da humanidade.
Impossível escrever um poema - uma linha que seja - de verdadeira poesia.
O último trovador morreu em 1914.
Tinha um nome de que ninguém se lembra mais.
Há máquinas terrivelmente complicadas para as necessidades mais simples.
Se quer fumar um charuto aperte um botão.
Paletós abotoam-se por eletricidade.
Amor se faz pelo sem-fio.
Não precisa estômago para digestão.
Um sábio declarou a O Jornal que ainda falta
muito para atingirmos um nível razoável de
cultura. Mas até lá, felizmente, estarei morto.
Os homens não melhoram
e matam-se como percevejos.
Os percevejos heróicos renascem.
Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado.
E se os olhos reaprendessem a chorar seria um segundo dilúvio.
(Desconfio que escrevi um poema.)
Carlos Drummond de Andrade
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Infinita procura...
Porque temos esse hábito masoquista de insistir em relacionamentos falidos?
Será que essa carência, essa necessidade de ser amada, esse medo de ficar sozinha, realmente supera o amor-próprio?
É tão comum ver casais que não tem nada a ver um com o outro, mas que insistem nessa mentira, sabe-se lá por quais razões! A busca pela alma gêmea, pelo amor pra toda vida, por alguém que seja especial, está se tornando tão obsessiva, e tão difícil, que o Alguém acaba sendo qualquer um.
Ouvi esses dias que o amor, é como o papai noel, só que para adultos. A gente realmente acredita nele, e se ele não chegou ainda, é porque está preso na chaminé. Será mesmo? Mas e se papai noel não existir? Quem traz os presentes? Quem é responsável pela nossa felicidade? Quem vai nos tornar completos? Ora, não é óbvio? Amigos, família, cachorros, conquistas de cada dia... Felicidade é uma jornada, não um objetivo.
Não quero ser discrente no amor. Não sou. Mas um pouco de realismo faz bem.
Mas supondo que sim, existe o papai noel, existe a alma gêmea. Todo ser humano foi abençoado pelo destino, e tem uma alma gêmea vagando em algum lugar desse planeta. Nesse pequeno planeta. Alguém, entre esses seis bilhões de pessoas, espalhados por esses 500 milhões de quilômetros quadrados está te esperando, pra viver um grande amor, e envelhecer juntos.
Com essas estatísticas, fica fácil perceber porque tão poucos casais envelhecem juntos.
Com essas estatísticas, fica fácil perceber porque tão poucos casais envelhecem juntos.
Martha Medeiros falou na crônica de domingo, que sorte se nossa alma gêmea morar na mesma cidade, e frequentar a mesma locadora! Mas por garantia, cada um deveria dar pelo menos uma volta ao mundo antes de se juntar com alguém.
Bom, se não achar ninguém, pelo menos vai se divertir e abrir os horizontes, para quem sabe perceber que esse tal alguém, não determina felicidade de ninguém.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Um "que" de Rebordosa
Não, definitivamente não. Se é essa a imagem que alguem faz de mim, certamente não conseguiu passar a primeira casca. Ou quer manter uma distância segura, ou não tem culhões o suficiente pra admitir que se sente intimidado por alguem que fala o que pensa, bebe quanto quer e não tem vergonha dos próprios defeitos.
Não sou nenhuma hipócrita, vivendo de fachada. Não tento passar uma imagem de futura esposa perfeita. Bem longe disso. Não tento passar por intelectual, sexy, ou descolada, nada disso.
Costumo ser apenas eu. Acidamente sincera.
Mas a comparação é até engraçada...
Quem meus pequenos vícios sejam perdoados, como disse Caetano, "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é". Eu sei o quanto me divirto. Então aceito as críticas. Está no pacote. Mas não se ofenda se por acaso eu te chamar de bunda mole.
Não sou nenhuma hipócrita, vivendo de fachada. Não tento passar uma imagem de futura esposa perfeita. Bem longe disso. Não tento passar por intelectual, sexy, ou descolada, nada disso.
Costumo ser apenas eu. Acidamente sincera.
Mas a comparação é até engraçada...
terça-feira, 24 de maio de 2011
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Poema XV
Pablo Neruda
Me gustas cuando callas porque estás como ausente.
Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto.
ME gustas cuando callas porque estás como ausente,
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.
Como todas las cosas están llenas de mi alma
emerges de las cosas, llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancolía.
emerges de las cosas, llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancolía.
Me gustas cuando callas y estás como distante.
Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.
Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:
déjame que me calle con el silencio tuyo.
Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.
Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:
déjame que me calle con el silencio tuyo.
Déjame que te hable también con tu silencio
claro como una lámpara, simple como un anillo.
Eres como la noche, callada y constelada.
claro como una lámpara, simple como un anillo.
Eres como la noche, callada y constelada.
Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.
Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto.
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