segunda-feira, 16 de maio de 2011

Camarada D'água

O Teatro Mágico

Camarada, d'onde vem essa febre
Nossa alegria breve
Por enquanto nos deixou
Camarada, viva a vida mais leve
Não deixe que ela escorregue
Que te cause mais dor
Caixa d'água guarda a água do dia
Não cabe tua alegria
Não basta pro teu calor
Viva a tua maneira
Não perca a estribeira
Saiba do teu valor
E amanheça brilhando mais forte
Que a estrela do norte
Que a noite entregou
Camarada d'água
Fique peixe de manhã, de madrugada
Fique toda hora que for
Você é riacho
E acho que teu rio corre pra longe do meu mar
Mar marvado seria o rio
Que correndo do meu riacho
Levaria o que acho
Pra onde ninguém pode achar
Como pode um peixe vivo viver fora da água fria?
Como poderei viver
Como poderei viver
Sem a tua, sem a tua, sem a tua
[infinita] companhia?
Viva a tua maneira
Não perca a estribeira
Saiba do teu valor
E amanheça brilhando mais forte
Que a estrela do norte
Que a noite entregou


Um obrigada muito especial, pra todas essas mulheres infinitas que alicerçam a minha vida! 
Amo voces!

sábado, 30 de abril de 2011

Antítese

Como pode passar um coração do dilúvio à seca?
Preciso aprender a buscar as coisas nos lugares certos.
A paz que estou precisando, não está nas multidões, não está nas noites, e tampouco num copo de cerveja.
Mas às vezes é difícil ficar em silêncio com meus pensamentos, não sei se estou preparada pra ouvir o que eles tem pra me dizer.
Mudar o enredo dos pensamentos não é fácil, e só porque um filme saiu de cartaz, não quer dizer que eu não veja as reprises.
Elas ajudam, sim. Gastam. Cada vez que projeto uma, ela fica mais amena, mais distante, menos dolorida. E a cada projeção, mexo com as cores. Crio uma intriga aqui ou ali, idealizo uma cena, mudo os personagens de lugar, ou em algumas projeções mais doloridas, destaco um personagem: de coadjuvante à protagonista.
Pra nao ficar assistindo essas reprises, busco a noite, o barulho, pessoas, outros pensamentos. Descubro assombrada que não tenho muita paciência pra nada disso. Quero as pessoas, mas não quero. Quero a noite, mas quero estar em casa. Quero o barulho, mas ele me incomoda.
Nada me satisfaz.
Estou buscando coisas erradas nos lugares errados, ou melhor, estou buscando não sei o que, em qualquer lugar.
Sei que preciso encontrar o foco de novo, uma tsunami passou e mudou todos os planos, agora, eu me viro com os destroços. Não, nem tudo é tragédia. Minha casa interior está sendo reconstruída. Amigos, família, religião, tudo isso está recriando os alicerces, logo mais, vem a decoração. Logo mais ela será habitada.
Logo mais... logo mais eu volto. Inteira.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Atraso Pontual



Ontens e hojes, amores e ódio,
adianta consultar o relogio?
Nada poderia ter sido feito,
a não ser o tempo em que foi lógico.
Ninguém nunca chegou atrasado.
Bençãos e desgraças
vem sempre no horário.
Tudo o mais é plágio.
Acaso é este encontro
entre tempo e espaço
mais do que um sonho que eu conto
ou mais um poema que faço?


Paulo Leminski