sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A queda do tatu-cola

O que me deixa mais triste, não é a policia dando porrada nos manifestantes, não é a copa, as privatizações, o vandalismo, nada disso. O que acaba comigo, são as críticas de quem não estava lá, e não entende a gravidade do que está acontecendo! 
Não é "coisa de desocupado", é o povo se manifestando e defendendo a democracia!
Vi tantos comentários dizendo que a galera merecia apanhar, e isso me da muito medo! 
A democracia está a perigo. A liberdade está a perigo. A cultura está a perigo.
Não me surpreenderia se qualquer dia desses vier um AI 6 por ai...



Pra saber mais, leia a matéria do Sul 21, foi o relato mais coerente que achei.


Precisa espancar a galera? Pra defender um boneco de plastico sem nome, que representa uma copa do mundo que grande parte da população nao quer? Ele representa interesses privados, e a repressão dos espaços publicos de cultura. Policiais mal preparados, que interpretam gritos de alegria e insatisfação como afronta a ordem publica. Pelo que sei, a policia atacou os manifestantes primeiro. E usou gas, balas de borracha e muita porrada contra cartazes e balões coloridos.

Muitos foram presos, mas nesse período eleitoral, ninguém pode ser preso! Porto Alegre cada vez mais careta e repressora! Mas o povo não se cala! Jamais!


domingo, 2 de setembro de 2012

Só há caminho



É de barro!
E é vermelho!
Como no horizonte a lagrimar...
É o sol que vem lambendo,
Juntando poeira e vento...
na imensidão do que está pra chegar.

São longas estradas...
Que importa!
Se chegar não é meu compromisso,
e o que me interessa mesmo é caminhar...

No olho do que não sabe ler,
Mas (des)entende o mundo no seu resistir...
Na boca de quem canta o amor,
Mas padece em solidão...
São todos soldados do porvir!

É chão batido!
Pé descalço!
Por tantas vezes escorregadio...
E tomes muito cuidado,
com as frustradas estrofes,
de gente que já desistiu, e não mais sorriu...

Daqui a tua mão!
Sigamos a passos largos,
 no mundo correremos!
E mesmo de encruzilhada em encruzilhada,
logo chegarão novos ventos...

Ainda há chão!
É de barro!
E é vermelho!
E o que interessa mesmo é caminhar.

Belizário, Inverno/12

Enfim


Chegou então? Nem reparei que já estava na hora. Seja bem vinda, espero que seja uma visita muito agradável como a que acabou de sair. Sabe que vocês são bem parecidas? Sério! Pois então, só muda um pouco o olhar, experiente talvez? Não, experienciado mesmo. Aconteceu tanta coisa com ela, nossa. E sou muito grata por cada uma dessas experiências.
Só pra você já ir se acostumando: foi um ano de realizações, concurso, namoro, academia, faculdade... defendi meu tcc, e me formei. Com A! Tirei meu CRB: 10/2186. Fui chamada num concurso (ok, não é o melhor concurso que já fiz, mas por hora está servindo.), estou trampando horrores, e mudando diversos paradigmas. Estou namorando. Sim, amo. Sim, tenho várias dúvidas. Claro, também acho. Devem ser os calos das experiências passadas. Provavelmente é. E sei que faço várias coisas lembrando das cicatrizes passadas. Saudade de quando era mais nova, e mais inocente, que acreditava que o amor não podia doer e que era simples. É só amor, misturado e intensificando em todo o resto.
Entrei na academia, como parte do meu plano para antes dos 30. Acabei engordando, acredita? Choquei também. Essa semana nem fui, mas segunda feira to voltando.
O bom é que tu ta chegando agora, hoje, nesse exato momento que dei a volta por cima dos meus próprios fantasmas, e me dei conta de como tudo vai se ajeitando.
Recebi um lindo poema hoje:

Se chegar não é meu compromisso,
o que me interessa mesmo é caminhar...

É isso mesmo, mais simplicidade, menos preocupação, menos drama, menos conflito. não vou ficar pensando demais sobre como está, e vou focar no como vai ser. Quero viajar, me tatuar, fazer outra faculdade, ou uma pós quem sabe? Por hora, me basta este sentimento. Não é comum sentir. Acho que estou feliz, só isso. Dormir sem preocupação faz toda a diferença.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

28

Mais um post sobre aniversários. Mais uma vez chegou setembro, me deixando mais próxima da idade de Balzac. Nunca fui mega pilhada com aniversários, mas esse em especial... estou cagando mais ainda! Posso não ter vontade de ir na minha própria festa? Tem problema se eu quiser ficar em casa, deitadinha, sem fazer nada, de olhos fechados? De preferência com uma chuva na rua.
A verdade é que nos ultimos dias, não sinto vontade de muita coisa. Faço tudo no automático: acordar, sair, pegar o trem, bater ponto, ligar o pc, fazer empréstimos, olhar emails, almoçar, o mesmo de tarde, voltar pra casa, etc. Na volta, quase não me importo com o trem abarrotado de gente, não falo, não olho, não me importo. Tem horas que me dá um dor no peito, uma vontade de chorar que bate do nada. Sem motivo aparente, sem nada acontecer. Só me dá vontade de chorar. Isso me faz pensar que estou com problemas. Bom, estou sim. E o próximo que me disser pra ter calma vai levar uma voadora na cara!
Devo andar com uma cara péssima. Até a diretora do colégio perguntou se estava tudo bem, mas daquele jeito dela, correndo, com pressa, dando 30 segundos de atenção pra cada pessoa porque o dia dela é tão cheio que não permite mais do que isso. Outro me deu um chocolate pra ver se eu me animava. Outra veio perguntar da minha família. Enfim, estou chamando atenção, quando tudo que eu quero é sumir do mapa.
Amanhã é minha festa de aniversário. Não quero ir.
Não quero ver o meu namorado, não quero falar com ninguém, não estou a fim de conversa fiada com ninguém sobre nada. Só quero dormir, a semana inteira.
Meus presentes estão aqui na sala, do meu lado. Não estou com vontade de abrir.
Ah, Balzac, me ajuda! Ta ficando bem difícil.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Hoje em dia estou convencido de que um ser humano deveria sempre preservar sua mente serena e em paz, nunca permitindo que uma paixão ou um desejo passageiro perturbe sua tranquilidade. Se algo que você faz, mesmo sendo um estudo, enfraquece seus afetos e destrói seu gosto pelos prazeres simples onde nada de mal pode haver, então essa sua atividade não é boa, não convém à mente humana.

Mary Shelley in Frankenstein.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Mais uma primavera

A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.

Quando se vê, já são 6 horas…

Quando se vê, já é 6ª-feira…

Quando se vê, passaram 60 anos…


Agora, é tarde demais para ser reprovado…


E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,


eu nem olhava o relógio.


seguia sempre, sempre em frente…


E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.



Mário Quintana



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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Uma pitada de leveza


A leveza é uma coisa tão difícil de descrever. Ao menos pra mim. Não é algo que a gente possa ver, pegar. Não é bem um sentimento. Não é algo que se deseje possuir. Mas é, sem dúvidas, uma coisa que a gente precisa ter na vida.
Colocar uma pitada de leveza no nosso dia faz com que a gente se sinta melhor. Seja parando um pouco pra respirar. Seja trocando uma palavra de carinho. Um beijo. Um abraço. Seja, simplesmente, olhando lá fora. Não existe uma fórmula para leveza. Pode estar na vista da sua janela, no seu café da manhã ou num momento de inspiração no meio da tarde.
É algo que a gente precisa quando sentimos aquele peso da vida, sabe? Aquele momento de estresse, aquele cansaço físico, aquela rotina, aquele sapato apertado. A gente sabe que está precisando de um momento de leveza quando até nos nossos pensamentos a gente consegue sentir o peso das coisas. E, as vezes, como pesa…
Se eu pudesse, eu encheria potes com doses diárias de leveza e distribuiria por aí. No trânsito, nas filas de banco, nas brigas de casais, nas salas de espera dos hospitais, nas reuniões de trabalho, nos telefonemas de cobrança, nos e-mails. Se eu pudesse, seria eu a própria leveza. Para visitar diariamente todos que carregam um peso maior do que podem aguentar. Se eu pudesse, tiraria a mão da frente dos olhos de todo mundo, porque as vezes a leveza está bem na nossa frente mas o peso do dia não nos deixa enxergar.
As vezes, você fica mais leve só de parar para escrever. Só de parar para ler. Para ouvir. Para comer. Para ver. Para amar.
Quando você deixa o pensamento sair vagando por aí. E muitas vezes tem a grata surpresa de encontrar alguma coisa linda. Ou alguém. E preencher um espaço que, mesmo com todo peso do mundo, continuava vazio. Um espaço que só pode ser preenchido por ela, a leveza da vida.
Então, se hoje eu pudesse dar um presente, seria uma pitada de leveza para cada um colocar no seu dia.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Lê pra mim!

História real, aconteceu com meu colega de município.
Ainda existe esperança no mundo.

Diálogo com um aluno do 4º ano. 
- Iai "Sôr"!
- Iaí carinha!
- É hoje que a gente pega o livro?
- É hoje, trouxe o outro?
- Trouxe sim "sôr", bem legal o livro, li naquele dia mesmo.
- Legal tchê, tem que ler bastante mesmo. E tu entendeu a história?

- Entendi sim. É de um rato que mora no interior e vai visitar um amigo rato que mora na cidade. Ele gostou na cidade por que tinha muitas coisas pra fazer mas ele achou muito perigoso e quis voltar logo pro interior, por que é mais calmo.

- Já li esse livro, é bem legal mesmo.
- Li para minha mãe também.
- Hahaha! Ela te cobra pra ver se realmente tu ta lendo os livros é?
- Não, é que ela não sabe ler e fica bem feliz quando conto as histórinhas dos livros pra ela.

Sem mais!

domingo, 27 de maio de 2012

Biblioteca escolar: relatos da vida real

Tudo é uma questão de perspectiva, e toda experiência gera aprendizado.
Ando num momento que nunca na vida imaginei que fosse possível, em um trabalho que nunca imaginei, numa cidade longe, convivendo com pessoas que pertencem a uma realidade que não é a minha.
Nunca estive tão dura de grana.
Nunca acordei tão cedo pra ir trabalhar.
Nunca tive tão pouco tempo pra curtir a minha casa.
Nunca tive tanto trabalho pra fazer num só lugar.
A biblioteca começa do zero, a partir do momento em que eu entrei nela e acredite, isso é muito trabalho! Ainda mais com poucos recursos e pouco tempo. A todo momento crianças entram e saem, professores retiram materiais como se estivessem em casa. Não todos, mas alguns, mais antigos que se consideram com direitos adquiridos por tempo de serviço.
Hoje à noite, minha janta vai ser o que a minha prima trouxe do restaurante que trabalha.
Amanha, vou vender meus vale transporte pra ter alguma grana pra passar a semana.
E o mais bizarro de tudo isso? Eu não estou me importando.
Acredito que vai melhorar, que isso é temporário e o mais importante, estou aprendendo tanta coisa, mas tanta coisa... nunca imaginei.
Vejo essa galera de movimento estudantil e politicagens e tal, com seus discursos, suas falas, suas teorias... cara, só que nunca vivenciou de perto pode ter opiniões de academia e acreditar que elas pertencem à realidade. O mundo real é muito diferente do que Foucalt diz. Desculpa acabar com a utopia de vocês.
Nos primeiros dias de madrugar, pegar trem, dois ônibus, colégio, crianças, barulho, falta de tudo... sério, chorava toda noite quando chegava em casa. Que saudades do meu estágio fácil e bem remunerado. Que saudade da minha zona de conforto! Hoje, depois de duas semanas e muitos litros de floral, ando bem melhor. Quero aproveitar o melhor dessa experiência.
Ser expulso da zona de conforto é uma experiência traumática, mas muito positiva. Depois que a gente se levanta da queda e acostuma com a poeira da estrada, fica muito mais forte do que jamais imaginou que poderia ser.
Estou nesse momento, descobrindo uma força interior incrível. Além de parcerias incríveis, e uma pessoa maravilhosa, que me trouxe apoio, e me ajudou a levantar. Gato, muito obrigada.
E vamos em frente. Que a vida não espera.
A gente tem que aprender a levantar ainda quando está caindo, pra não ser atropelado.


quarta-feira, 16 de maio de 2012

Mudar?

lugares dos sonhos

Afinal, tudo é uma questão de se adaptar às mudanças que a vida joga na nossa cara...

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Do You want to travel?

Da simplicidade do amor...

Texto recebido por email.


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Por que as pessoas valorizam o esforço e a sedução?

Há conversas que nunca terminam e dúvidas que jamais desaparecem. Sobre a melhor maneira de iniciar uma relação, por exemplo. Muita gente acredita que aquilo que se ganha com facilidade se perde do mesmo jeito. Acham que as relações que exigem esforço têm mais valor. Mulheres difíceis de conquistar, homens difíceis de manter, namoros que dão trabalho - esses tendem a ser mais importantes e duradouros. Mas será verdade? 

Eu suspeito que não. 

Acho que somos ensinados a subestimar quem gosta de nós. Se a garota na mesa ao lado sorri em nossa direção, começamos a reparar nos seus defeitos. Se a pessoa fosse realmente bacana não me daria bola assim de graça. Se ela não resiste aos meus escassos encantos é uma mulher fácil – e mulheres fáceis não valem nada, certo? O nome disso, damas e cavalheiros, é baixa auto-estima: não entro em clube que me queira como sócio. É engraçado, mas dói. 

Também somos educados para o sacrifício. Aquilo que ganhamos sem suor não tem valor. Somos uma sociedade de lutadores, não somos? Temos de nos esforçar para obter recompensas. As coisas que realmente valem a pena são obtidas à duras penas. E por aí vai. De tanto ouvir essa conversa - na escola, no esporte, no escritório - levamos seus pressupostos para a vida afetiva. Acabamos acreditando que também no terreno do afeto deveríamos ser capazes de lutar, sofrer e triunfar. Precisamos de conquistas épicas para contar no jantar de domingo. Se for fácil demais, não vale. Amor assim não tem graça, diz um amigo meu. Será mesmo? 

Minha experiência sugere o contrário. 

Desde a adolescência, e no transcorrer da vida adulta, todas as mulheres importantes me caíram do céu. A moça que vomitou no meu pé na festa do centro acadêmico e me levou para dormir na sala da casa dela. Casamos. A garota de olhos tristes que eu conheci na porta do cinema e meia hora depois tomava o meu sorvete. Quase casamos? A mulher cujo nome eu perguntei na lanchonete do trabalho e 24 horas depois me chamou para uma festa. A menina do interior que resolveu dançar comigo num impulso. Nenhuma delas foi seduzida, conquistada ou convencida a gostar de mim. Elas tomaram a iniciativa – ou retribuíram sem hesitar a atenção que eu dei a elas. 

Toda vez que eu insisti com quem não estava interessada deu errado. Toda vez que tentei escalar o muro da indiferença foi inútil. Ou descobri que do outro lado não havia nada. Na minha experiência, amor é um território em que coragem e a iniciativa são premiadas, mas empenho, persistência e determinação nunca trouxeram resultado. 

Relato essa experiência para discutir uma questão que me parece da maior gravidade: o quanto deveríamos insistir em obter a atenção de uma pessoa que não parece retribuir os nossos sentimentos? 

Quem está emocionalmente disponível lida com esse tipo de dilema o tempo todo. Você conhece a figura, acha bacana, liga uns dias depois e ela não atende e nem liga de volta. O que fazer? Você sai com a pessoa, acha ela o máximo, tenta um segundo encontro e ela reluta em marcar a data. Como proceder a partir daí? Você começou uma relação, está se apaixonando, mas a outra parte, um belo dia, deixa de retornar seus telefonemas. O que se faz? Você está apaixonado ou apaixonada, levou um pé na bunda e mal consegue respirar. É o caso de tentar reconquistar ou seria melhor proteger-se e ajudar o sentimento a morrer? 

Todas essas situações conduzem à mesma escolha: insistir ou desistir? 

Quem acha que o amor é um campo de batalha geralmente opta pela insistência. Quem acha que ele é uma ocorrência espontânea tende a escolher a desistência (embora isso pareça feio). Na prática, como não temos 100% de certeza sobre as coisas, e como não nos controlamos 100%, oscilamos entre uma e outra posição, ao sabor das circunstâncias e do tamanho do envolvimento. Mas a maioria de nós, mesmo de forma inconsciente, traça um limite para o quanto se empenhar (ou rastejar) num caso desses. Quem não tem limites sofre além da conta – e frequentemente faz papel de bobo, com resultados pífios. 

Uma das minhas teorias favoritas é que mesmo que a pessoa ceda a um assédio longo e custoso a relação estará envenenada. Pela simples razão de que ninguém é esnobado por muito tempo ou de forma muito ostensiva sem desenvolver ressentimentos. E ressentimentos não se dissipam. Eles ficam e cobram um preço. Cedo ou tarde a conta chega. E o tipo de personalidade que insiste demais numa conquista pode estar movida por motivos errados: o interesse é pela pessoa ou pela dificuldade? É um caso de amor ou de amor próprio? 

Ser amado de graça, por outro lado, não tem preço. É a homenagem mais bacana que uma pessoa pode nos fazer. Você está ali, na vida (no trabalho, na balada, nas férias, no churrasco, na casa do amigo) e a pessoa simplesmente gosta de você. Ou você se aproxima com uma conversa fiada e ela recebe esse gesto de braços abertos. O que pode ser melhor do que isso? O que pode ser melhor do que ser gostado por aquilo que se é – sem truques, sem jogos de sedução, sem premeditações? Neste momento eu não consigo me lembrar de nada.

IVAN MARTINS 

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Manual do amigo do vegetariano


Encontrei este texto no Cantinho Vegetariano, não é meu, mas é muito bom, porque se encaixa em situações que qualquer vegetariano, semi vegetariano ou vegan já passou na vida.

O mais difícil não é mudar os próprios hábitos, é ser aceito. Sabia que vegs sofrem preconceito? Não? Nem eu, até mudar de lado, e entender como as piadinhas "engraçadinhas e inocentes" realmente ofendem.
Um exemplo pra inverter os papéis: uma mulher é obrigada a ouvir que "mulher tem que apanhar", "mulher dirige mal", "mulher só serve pra pilotar fogão". Não é legal, e não é verdadeiro. Ofende, por mais que tu leve na esportiva, cansa ouvir esse tipo de bobagem sendo reproduzido de geração após geração, pela mídia e pelos teus próprios amigos e parentes.
Oi? Será que só eu percebi que tem alguma coisa errada?
Comer animais, não é legal. Matar animais não é legal. Não tem nada de divertido em escravidão, tortura, desrespeito e violência. Nenhum ser vivo é superior ao outro.
Mas claro, se tu resolve se manifesta, logo é categorizado como mais um vegetariano chato.
Enfim... um dia o mundo vai evoluir. E quando desenterrarem nossos fósseis, vão achar que éramos muito selvagens. E com razão!

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10 mandamentos para os carnívoros

Concluí, após cuidadosa análise, que comer carne era incompatível com meus valores, apesar de adorar carne e não gostar muito de verduras. Eu tinha certeza que minhas papilas gustativas iam se rebelar, talvez manter um ou dois brotos de feijão como reféns em minha boca até que eu pagasse o resgate com um hambúrguer ou um pedacinho de bacon.

Felizmente, não aconteceu bem como eu esperava, meu maior problema como vegetariana não foi a comida — que descobri ser deliciosa e tão satisfatória como a carne — mas as atitudes desconcertantes de minha família e dos amigos. Outros vegetarianos fazem as mesmas reclamações: os olhares estranhos, as perguntas tolas, os interrogatórios pouco amistosos. Parece que os vegetarianos —12 milhões só nos Estados Unidos, e aumentando a cada dia — são uma minoria na verdade tristemente mal compreendida. Assim, eu bolei dez simples mandamentos para os carnívoros usarem em seus contatos com os vegetarianos:

Não pense que os vegetarianos são espartanos que se alimentam de cenouras cruas e brotos de feijão.

A pergunta que mais ouço é "O que você come?" Esta me deixa desconcertada; o que pode responder uma pessoa que tem uma dieta razoavelmente variada? Eu como espaguete, refogados, humus, cozidos, sorvete de framboesa, minestrone, saladas, burritos de feijão, bolo de gengibre, lentilha, lasanha, espetinhos de tofu, waffles, hambúrgueres vegetarianos, alcachofras, tacos, bagels, arroz com açafrão, musselina de limão, risoto de cogumelos silvestres — o que você come?

Aprenda um pouco de biologia.

Eu ainda não sei bem o que fazer com pessoas que são inteligentes sob outros aspectos mas acham que uma galinha não é um animal. Só para constar, vegetarianismo significa não consumir carne vermelha, aves, ou peixe — nada que tenha um rosto. Já perdi a conta das vezes em que garçons sugeriram um prato de frutos do mar como entrada "vegetariana".

Principalmente se as pessoas forem vegetarianas por razões éticas, não julgue que elas não se importarão com "só um pouquinho" de carne em sua refeição.

Você aceitaria "só um pouquinho" de seu gato, ou "um bocadinho" do Tio Jim em sua sopa?

Deixe de fazer lobby para a indústria da carne.

Parece que os carnívoros pensam que os vegetarianos são como as pessoas que fazem regime e que nós queremos trapacear de vez em quando. Meu pai tem certeza de que se ele conseguir me convencer que sua carne enlatada é uma delícia, eu vou ceder e comê-la. Amigos tentam me fazer experimentar "só um pedacinho" de qualquer prato com carne que eles estejam comendo, partindo da premissa de que é tão bom que é impossível que eu recuse. Há vezes em que penso que os carnívoros aprenderam a fazer pressão com os caras malvados dos filmes anti-drogas que nós assistíamos no ginásio. Ouçam bem: não precisam insistir dizendo que é "ótimo", nós não vamos comer.

Quando um vegetariano fica doente, não diga a ele ou a ela que está desnutrido.

Dos comentários que ouvi quando tive gripe, vocês pensariam que os carnívoros nunca ficam doentes. Quando eu fico doente, tem sempre alguém esperando para me dizer que é por causa da minha dieta. Na verdade, da mesma forma que existem carnívoros saudáveis e doentes, há vegetarianos saudáveis e doentes. (Por falar nisso, estudos demonstraram que os vegetarianos tem o sistema imunológico mais resistente do que os carnívoros.)

Quando estiverem em um restaurante com um vegetariano, tenham paciência - comer fora pode ser um desafio mesmo para o mais consumado vegetariano.

Apesar da aceitação em voga da dieta à base de vegetais, a maior parte dos cardápios de restaurantes ainda está repleta de produtos animais. Alguns restaurantes parecem não ter nada a não ser carne em seus cardápios; mesmo as saladas têm ovos ou frango! Não reclamem se seus esforços para determinar os ingredientes exatos do minestrone parecerem paranóia; a experiência nos ensinou que esses interrogatórios à mesa são necessários. Após anos interrogando garçons e garçonetes, descobri que itens descritos como vegetarianos muitas vezes contém caldo de galinha, banha, ovos, ou outros ingredientes animais.

Não façam caretas para nossos alimentos.

Antes de torcerem o nariz para meu cachorro-quente de soja ou para o tofu, pensem naquilo que vocês estão comendo. Só porque se alimentar de animais é amplamente aceito, isso não significa que não seja uma grosseria.

Percebam que nós provavelmente já ouvimos isso antes.

Uma das coisas mais engraçadas sobre ser veg é a pessoa que tem certeza de ter o argumento que vai mudar minha maneira de pensar. Quase que invariavelmente vêem como uma destas jóias:

(a) "Animais comem outros animais, portanto porque os seres humanos não o fariam?"

Resposta: A maior parte dos animais que mata para se alimentar não sobreviveria se não o fizesse. Esse obviamente não é o caso com os seres humanos. E desde quando usamos os animais como exemplo de comportamento?

(b) "Nossos ancestrais comiam carne."

Resposta: Talvez — mas eles também moravam em cavernas, conversavam aos grunhidos, e tinham escolhas muito limitadas de estilo de vida. Supõe-se que nós já tenhamos evoluído desde aquela época.

Apesar da opinião popular, vocês não têm o direito de esperar que os vegetarianos transijam convicções pessoais em nome da "cortesia".

Pessoas que nunca sonhariam em convidar um alcoólatra recuperado para experimentar sua vodca preferida, ou em querer que alguém que levasse uma vida kosher aceitasse um pouco de bacon, acham perfeitamente razoável esperar que eu coma o bolo de carne da tia Maria porque eu o adorava quando criança e ela ficaria muito ofendida se eu não aceitasse um pouco agora.

Parem de dizer que os seres humanos "precisam" comer carne.

Nós somos a prova viva de que não precisam. Pessoas que sob outros aspectos respeitam minha capacidade de me cuidar recusam-se a acreditar que não tomei a decisão de me tornar vegetariana impulsivamente. Eu fiz muita pesquisa sobre o vegetarianismo — provavelmente mais do que vocês fizeram sobre dieta e nutrição — e estou confiante da escolha que fiz. Vocês conhecem os estudos que demonstram que os carnívoros tem duas vezes mais possibilidade de morrer de problemas cardíacos, 60% mais chance de morrer de câncer e 30% a mais de possibilidade de morrer de outras doenças? Eu não estaria comendo desta maneira se uma extensa pesquisa não tivesse me convencido de que o vegetarianismo é mais saudável e mais ético do que comer carne; uma pergunta mais pertinente seria se você pode justificar a sua dieta.

Por Alison Green - Tradução: Mirian M. Costa

Fonte: Vegetarianismo

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Legalizar o Aborto

Hoje, no Brasil o STF discute a possibilidade de legalizar o aborto em casos de anencefalia. Sou da opinião que não apenas nesse caso, mas também em caso de estupro, risco para a mãe, e falta de estrutura financeira e psicológica, a mulher possa optar. Não é função do Estado julgar o que faço com meu corpo, ainda mais com base em argumentos religiosos. Nenhum religioso moralista vai criar essa criança, então não deve opinar.
Meu corpo, minha escolha!
E mais, que tanto homens decidem sobre o corpo feminino? OS pastores, OS padres, OS ministros... E as mulheres, onde estão? 
Tenho certeza que toda mulher conheçe alguém que já fez aborto. É uma prática tão antiga quanto o ser humano, não vai ser banida de um dia para o outro. 
O mundo está evoluindo, que tal evoluir as mentes também?
Meu corpo. Eu decido.




***Em tempo, foi aprovado por 8 x 2. À passos de formiga caminha esse meu país, mas ainda caminha!

Abaixo um texto publicado na revista Fórum, muito esclarecedor sobre o assunto.

Legalizar o Aborto

Em 28 de setembro, mulheres de toda a América Latina saem às ruas para lutar por um direito que já é garantido há tempos às européias, estadunidenses e canadenses: o direito de interromper uma gravidez indesejada. É o Dia pela Descriminalização do Aborto na América Latina e Caribe.

Por Túlio Vianna
O aborto não é crime na maioria esmagadora dos países desenvolvidos. Nos Estados Unidos, no Canadá e na Europa, se uma mulher desejar interromper uma gravidez por questões socioeconômicas, poderá fazê-lo sem maiores riscos para sua saúde em um hospital, de forma plenamente legal.
No Brasil, o aborto é tratado como crime e tanto a mulher que o praticar, como quem de qualquer forma auxiliá-la, poderão ser presos. Os rigores da legislação brasileira, porém, não impedem que os abortos sejam realizados clandestinamente. A Pesquisa Nacional do Aborto, publicada pela Universidade de Brasília (UNB) este ano, estimou que 1 em cada 5 mulheres brasileiras já realizaram aborto, sendo que metade delas foram internadas devido a complicações causadas pelo procedimento.
Uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) constatou que, entre 1995 e 2007, a curetagem pós-aborto foi a cirurgia mais realizada no Sistema Único de Saúde (não foram levadas em conta cirurgias cardíacas, partos e pequenas intervenções que não exigem a internação do paciente). Foram 3,1 milhões de curetagens e estima-se que a maioria delas sejam decorrentes de abortos provocados.
Por que então não garantir às brasileiras o mesmo direito ao aborto já garantido às norte-americanas e europeias e evitar tantos riscos desnecessários à sua saúde?
Direito à vida
O argumento central de quem é contrário à legalização do aborto é que a vida humana surge no momento da concepção e que, a partir de então, este seria um direito a se garantir ao embrião. Claro que esta é uma concepção de cunho exclusivamente religioso.
Cientificamente, não é possível se determinar ao certo quando começa a vida humana. Nas 12 primeiras semanas de gestação (período em que o aborto é permitido, na maioria dos países onde é legalizado), o feto ainda não desenvolveu seu sistema nervoso e para considerá-lo vivo neste estágio, seria preciso rever o próprio conceito jurídico de morte. Isso porque a lei 9.434/97 permite o transplante de órgãos desde que haja morte cerebral, ainda que, eventualmente, o coração continue a bater. E, se é a morte cerebral que indica o fim da vida, é razoável entender que o início da vida humana surge com a “vida cerebral”, o que seria impossível nas primeiras 12 semanas, antes da formação do sistema nervoso do feto.
No entanto, o conceito de vida defendido pelos opositores da legalização do aborto parece ser bem mais amplo do que qualquer um que possa ser estabelecido por critérios científicos. A ponto de abarcar, inclusive, fetos sem cérebros, como se vê por algumas das teses defendidas na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 54, que tramita no Supremo Tribunal Federal desde 2004 e trata da interrupção de gravidez nos casos de anencefalia do feto. Já passados 6 anos, ainda não houve tempo suficiente para que o STF concluísse o óbvio ululante: sem cérebro, não há vida humana a ser protegida, então não há crime de aborto.
Infelizmente, o debate sobre o aborto no Brasil não se faz com base em constatações científicas ou jurídicas. O aborto é discutido no Brasil com base em dogmas religiosos, como os do arcebispo de Olinda e Recife Dom José Cardoso Sobrinho, que excomungou os médicos e os parentes de uma menina de 9 anos de idade que foi estuprada por seu padrasto e precisou realizar um aborto para se livrar de uma gravidez de gêmeos que lhe causava risco de morte. Detalhe: o padrasto que estuprou a menina não foi excomungado por Sua Excelência Reverendíssima, que considerou este crime menos grave que o aborto.
É preciso entender, porém, que o Brasil é uma república laica e, portanto, não se pode admitir que qualquer religião imponha seus dogmas aos demais, muito menos por meio de criminalizações.
Questão social
A legalização do aborto é uma questão de saúde pública que atinge quase que exclusivamente as mulheres pobres, que não têm condições financeiras de arcar com o alto custo de um aborto em alguma das maternidades de luxo que realizam a cirurgia ilegalmente. Para uma mulher rica que tenha uma gravidez indesejável, a solução – ainda que ilícita – é recorrer a uma boa maternidade onde conversando com a pessoa certa e pagando o preço necessário poderá abortar com toda a infraestrutura e higiene de um bom hospital.
Ainda que não optem pelo procedimento cirúrgico, as mulheres de melhor condição socioeconômica têm um acesso muito mais amplo a informações sobre como realizar o auto-aborto de forma relativamente segura. Há vários sites internacionais dedicados a esclarecer às mulheres dos países onde o aborto ainda é proibido como utilizar medicamentos para este fim. No International Consortium for Medical Abortion , por exemplo, há informações de como usar o remédio Cytotec (Misoprostol) em conjunto com o Mifiprex (Mifepristone), de forma a tornar o procedimento um pouco mais seguro e menos doloroso.
Para a maioria das mulheres brasileiras, porém, este tipo de informação ainda não é acessível e elas acabam adquirindo o Cytotec no mercado paralelo e “aprendendo” como usá-lo com o próprio vendedor que, em geral, não possui qualquer conhecimento médico. Sem informação, utilizam o Cytotec sem qualquer outro medicamento, obrigando a uma dosagem maior, diminuindo as chances de sucesso e tornando todo o procedimento mais arriscado e doloroso. Por se tratar de um comércio ilegal, sem qualquer tipo de controle por parte da Anvisa, há ainda o sério risco de adquirir um produto falsificado.
Outra significativa parcela de mulheres pobres opta por realizar o aborto por procedimentos de curetagem ou sucção em clínicas clandestinas, sem as mínimas condições de higiene e infraestrutura. São procedimentos bastante arriscados para a vida e saúde delas e muitas acabam sendo socorridas nos hospitais do SUS, após abortos mal sucedidos. As complicações não raras vezes levam à morte, sendo o aborto a terceira causa de morte materna no Brasil, segundo pesquisa do IPAS.
Legalização
A criminalização do aborto não evita o aborto, mas tão-somente obriga a mulher a realizá-lo na clandestinidade. As ricas pagando um alto preço pelo sigilo e segurança do procedimento e as pobres relegadas à própria sorte, em um oceano de desinformação e preconceito.
O debate sobre a descriminalização do aborto não é sobre o direito ou não de a gestante abortar, mas sobre o direito ou não de a gestante ter auxílio médico para abortar. A Constituição brasileira garante em seu artigo 226, §7º, que “o planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas”.
O que se vê, porém, no Brasil é uma completa interferência do Estado no direito da mulher de decidir ter ou não um filho, amparado em uma interpretação religiosa do direito constitucional à vida. O axioma católico de que a vida inicia na concepção é apresentado como fundamento “jurídico” contra a legalização do aborto, no Estado laico brasileiro. É este dogma religioso o grande responsável pelo cerceamento do direito constitucional ao livre planejamento familiar.
A criminalização do aborto no Brasil coloca nossas leis ao lado da tradição legislativa de países do Oriente Médio e da África, ainda marcada por uma intensa influência religiosa, e nos distancia dos Estados laicos da Europa e da América do Norte.
Direitos fundamentais, como é o direito à liberdade de planejamento familiar, não podem ser cerceados com base na fé em dogmas religiosos. O Estado é laico e ainda que a maioria da população brasileira acredite que o aborto é um grave pecado que deve ser punido com a excomunhão, estas concepções religiosas não podem ser impostas por meio de leis que criminalizam condutas, pois a separação entre Estado e religião é uma garantia constitucional.
Os abortos acontecem e acontecerão, com ou sem a criminalização, pois nenhuma lei conseguirá constranger uma mulher a ter um filho contra sua vontade. Não é um fato que agrade à mulher que se submete a ele, ao Estado, ou a quem quer que seja. Mas acontece.
Cabe ao Estado legalizar a prática e evitar os males maiores que são consequências dos abortos realizados sem assistência médica: os danos à saúde ou mesmo a morte da mulher. Talvez esta mudança na lei não faça muita diferença para os homens ou para as mulheres ricas que não sentem na pele as consequências de sua criminalização; mas para as mulheres pobres esta seria a única lei que, de fato, poderia ser chamada de pró-vida.
Túlio Vianna é professor da Faculdade de Direito da UFMG.

Keep moving


domingo, 8 de abril de 2012

Preciso


Preciso que um barco atravesse o mar
lá longe
para sair dessa cadeira
para esquecer esse computador
e ter olhos de sal
boca de peixe
e o vento frio batendo nas escamas.
Preciso que uma proa atravesse a carne
cá dentro
para andar sobre as águas
deitar nas ilhas e
olhar de longe esse prédio
essa sala
essa mulher sentada diante do computador
que bebe a branca luz eletrônica
e pensa no mar.



Marina Colasanti


quinta-feira, 5 de abril de 2012

Colecionando boas lembranças

Em dias como hoje, é bom ter na memória momentos que nos fazem acreditar que tudo vai dar certo.


E vai dar sim.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Mulheres

"Sempre tive o maior interesse por elas. Pois as três são umasó, que por mágica se divide e assim se diverte mais, vive mais, e não fica tão sozinha. Elas são sua própria companhia. Meus pais comentam que são como crianças. As três se bastam: quase não saem de casa, vão juntas ao mercado e ao cinema, e ao cemitério onde a alegria descansa.
Quando uma delas morrer, as duas outras vão continuar por aqui, ou será revelado que são uma só, um só corpo será achado na velha casa, numa rua sem saída? Vão achar um corpo e as outras duas nunca mais hão de aparecer?"

Lya Luft, em O Ponto Cego.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Diário de uma dieta


Querido Diário,

Hoje começo a fazer dieta. Preciso perder 8 kg. O médico aconselhou a fazer um diário, onde devo colocar minha alimentação e falar sobre o meu estado de espírito. Sinto-me de volta à adolescência, mas estou muito empolgada com tudo. Por mais que dieta seja dolorosa, quando conseguir entrar naquele vestidinho preto maravilhoso, vai ser tudo de bom.
Primeiro dia de dieta: Um queijo branco. Um copo de diet shake. Meu humor está maravilhoso. Me sinto mais leve. Uma leve dor de cabeça talvez.
Segundo dia de dieta: Uma saladinha básica. Algumas torradas e um copo de iogurte. Ainda me sinto maravilhosa. A cabeça dói um pouquinho mais forte, mas nada que uma aspirina não resolva.
Terceiro dia de dieta: Acordei no meio da madrugada com um barulho esquisito. Achei que fosse ladrão. Mas, depois de um tempo percebi que era o meu próprio estômago. Roncando de dar medo. Tomei um litro de chá. Fiquei mijando o resto da noite.
Anotação: Nunca mais tomo chá de camomila.
Quarto dia de dieta: Estou começando a odiar salada. Me sinto uma vaca mascando capim. Estou meio irritada. Mas acho que é o tempo. Minha cabeça parece um tambor. Janaína comeu uma torta alemã hoje no almoço. Mas eu resisti.
Anotação: Odeio Janaína
Quinto dia de dieta: Juro que se ver mais um pedaço de queijo branco na minha frente, eu vomito! No almoço, a salada parecia rir da minha cara. Gritei com o boy hoje! E com a Janaína. Preciso me acalmar e voltar a me concentrar. Comprei uma revista com a Gisele na capa. Minha meta. Não posso perder o foco.
Sexto dia de dieta: Estou um caco. Não dormi nada essa noite. E o pouco que consegui, sonhei com um pudim de leite. Acho que mataria hoje por um brigadeiro.
Sétimo dia de dieta: Fui ao médico. Emagreci 250 gramas. Tá de sacanagem! A semana toda comendo mato. Só faltando mugir e perdi 250gramas! Ele explicou que isso é normal. Mulher demora mais para emagrecer, ainda mais na minha idade. Ele me chamou de gorda e velha!
Anotação: Procurar outro médico.
Oitavo dia de dieta: Fui acordada hoje por um frango assado. Juro! Ele estava na beirada da cama, dançando can-can.
Anotação: O pessoal do escritório ficou me olhando esquisito hoje, Janaína diz que é porque estou parecendo o Jack do “Iluminado”.
Nono dia de dieta: Não fui trabalhar hoje. O frango assado voltou a me acordar, dançando a dança-do-ventre dessa vez. Passei o dia no sofá vendo tv. Acho que existe um complô. Todos os canais passavam receita culinária. Ensinaram a fazer Torta de morangos, salpicão e sanduíche de rocambole.
Anotação: Comprar outro controle remoto, num acesso de fúria, joguei o meu pela janela.
Décimo dia de dieta: Eu odeio Gisele B.
Décimo-primeiro dia de dieta: Chutei o cachorro da vizinha. Gritei com o porteiro. O boy não entra mais na minha sala e as secretárias encostam na parede quando eu passo.
Décimo-segundo dia de dieta: Sopa.
Anotação: Nunca mais jogo pôquer com o frango assado. Ele rouba.
Décimo-terceiro dia de dieta: A balança não se moveu. Ela não se moveu! Não perdi um mísero grama! Comecei a gargalhar. Assustado, o médico sugeriu um psicólogo. Acho que chegou a falar em psiquiatra. Será que é porque eu o ameacei com um bisturi?
Anotação: Não volto mais ao médico, o frango acha que ele é um charlatão.
Décimo-quarto dia de dieta: O frango me apresentou uns amigos. A picanha é super gente boa, e a torta, embora meio enfezada, é um doce.
Décimo-quinto dia de dieta: Matei a Gisele B! Cortei ela em pedacinhos e todas as fotos de modelos magérrimas que tinha em casa.
Anotação: O frango e seus amigos estão chateados comigo. Comi um pedaço do Sr. Pão. Mas foi em legítima defesa. Ele me ameaçou com um pedaço de salame.
Décimo sexto dia: Não estou mais de dieta. Aborrecida com o frango, comi ele junto com o pão. E arrematei com a torta. Ela realmente era um doce…

(Texto retirado de internet, impossível descobrir a autoria)

quarta-feira, 14 de março de 2012

Detesto



"No entanto, do fundo do coração te agradeço o desespero que me causas, e detesto a tranqüilidade em que vivi antes de te conhecer."

(Sóror Mariana Alcoforado: Cartas Portuguesas)

segunda-feira, 12 de março de 2012

Intuição

Se tem uma coisa que aprendi nesses anos, foi a confiar na minha intuição.
Ela pode não ser precisa como uma adivinhação do futuro, ou mensagens de santos, mas ela funciona. Já me deu provas disso.
E nessa noite, ela piscou pra mim outra vez. Não me disse nomes, nem fatos, mas me mandou ficar alerta: Abra os olhos! Tem alguma coisa por ai.
E lá vamos nós de novo...

quinta-feira, 1 de março de 2012

No quiero otros besos...

"No quiero otros besos, ni otros abrazos, ni otro número de teléfono que me llame por las noches. Porque me encanta tu sonrisa, la adoro. Adoro tus abrazos y tus locuras. Me encanta que me hagas reír. Me gusta cuando me miras y cuando sonríes sin ninguna razón. Adoro que me hagas tus tipicas bromas, aunque me enoje y creas que las odio. Adoro tu forma de hablar, tus gestos y tu aroma. Me encanta estar contigo porque se me olvida todo. Supongo que en realidad, no adoro todo eso. Me gusta solamente porque lo haces tu."


(via http://auroraine.blogspot.com/)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Os fantásticos livros voadores do Senhor Lessmore

Linda animação! Sobre bibliotecários, livros, e a transformação que os livros trazem para a vida das pessoas!



E o Oscar vai para..."Os fantásticos livros voadores do Senhor Lessmore"



"The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore", conquistou o Oscar de melhor curta-metragem e animação. É uma história baseada em medidas iguais, no Furacão Katrina, nas performances do ator Buster Keaton, no Mágico de Oz e no amor aos livros, apresenta pessoas que dedicam a sua vida aos livros, e livros que ganham vida para devolver o favor. Usando uma variedade de técnicas (miniaturas, animação por computador, animação 2D) . O ilustrador William Joyce e de Brandon Oldenbrug apresentam um estilo híbrido de animação que remonta a filmes mudos e musicas da MGM.


Ficha técnica
Diretor: William Joyce, Brandon Oldenburg
Produção: Iddo Lampton Enochs Jr., Trish Farnsworth-Smith, Alissa M. Kantrow
Roteiro: William Joyce
Trilha Sonora: John Hunter
Duração: 15 min.
Ano: 2011
País: EUA
Estúdio: Moonbot Studios


Assista agora:


The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore por trailers no Videolog.tv.