sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Metade


Oswaldo Montenegro


Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Adolie Day

Ilustradora francesa, faz umas bonequinhas lindas, super delicadas. Me pareceu uma mistura de Tim Burton, com Amelie Poulain. Também faz ilustrações de livros infantis.





Pra ver mais coisas lindinhas, é só acessar o blog: http://adolieday.blogspot.com/


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Os amigos invisíveis

Fabrício Carpinejar


















Os amigos não precisam estar ao lado para justificar a lealdade.
Mandar relatórios do que estão fazendo para mostrar preocupação.
Os amigos são para toda a vida, ainda que não estejam conosco a vida inteira.
Temos o costume de confundir amizade com onipresença e exigimos que as pessoas estejam sempre por perto, de plantão.
Amizade não é dependência, submissão.
Não se têm amigos para concordar na íntegra, mas para revisar os rascunhos e duvidar da letra.
É independência, é respeito, é pedir uma opinião que não seja igual, uma experiência diferente.
Se o amigo desaparece por semanas, imediatamente se conclui que ele ficou chateado por alguma coisa.
Diante de ausências mais longas e severas, cobramos telefonemas e visitas.
E já se está falando mal dele por falta de notícias.
Logo dele que nunca fez nada de errado!
O que é mais importante: a proximidade física ou afetiva?
A proximidade física nem sempre é afetiva.
Amigo pode ser um álibi ou cúmplice ou um bajulador ou um oportunista, ambicionando interesses que não o da simples troca e convívio.
Amigo mesmo demora a ser descoberto.
É a permanência de seus conselhos e apoio que dirão de sua perenidade.
Amigo mesmo modifica a nossa história, chega a nos combater pela verdade e discernimento, supera condicionamentos e conluios.
São capazes de brigar com a gente pelo nosso bem-estar.
Assim como há os amigos imaginários da infância, há os amigos invisíveis na maturidade.
Aqueles que não estão perto podem estar dentro.
Tenho amigos que nunca mais vi, que nunca mais recebi novidades e os valorizo com o frescor de um encontro recente.
Não vou mentir a eles: vamos nos ligar? num esbarrão de rua.
Muito menos dar desculpas esfarrapadas ao distanciamento.
Eles me ajudaram e não necessitam atualizar o cadastro para que sejam lembrados.
Ou passar em casa todo o final de semana e me convidar para ser padrinho de casamento, dos filhos, dos netos, dos bisnetos.
Caso encontrá-los, haverá a empatia da primeira vez, a empatia da última vez, a empatia incessante de identificação.
Amigos me salvaram da fossa, amigos me salvaram das drogas, amigos me salvaram da inveja, amigos me salvaram da precipitação, amigos me salvaram das brigas, amigos me salvaram de mim.
Os amigos são próprios de fases: da rua, do Ensino Fundamental, do Ensino Médio, da faculdade, do futebol, da poesia, do emprego, da dança, dos cursos de inglês, da capoeira, da academia, do blog. Significativos em cada etapa de formação.
Não estão em nossa frente diariamente, mas estão em nossa personalidade, determinando, de modo imperceptível, as nossas atitudes.
Quantas juras foram feitas em bares a amigos, bêbados e trôpegos?
Amigo é o que fica depois da ressaca.
É glicose no sangue.
A serenidade.




sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Testes em animais



Mudando um pouco o foco, de dramalhões pessoais, para coisas realmente importantes, comecei faz algum tempo a me preocupar com a origem daquilo que consumo.                                                     Voltei a ser vegetariana faz alguns meses, e to achando ótimo. Não precisei ver vídeos com cenas de matadouros e tal, pra ter convicção disso, basta ler um pouco mais a respeito. Tem zilhares de sites na internet que mostram porque cada vez mais pessoas deixam de comer carne. Cada um que procure por si, não vou dar uma de "eco mala" e ficar pregando pra todo mundo.
Simplesmente, acho que não tem porque um bicho morrer, pra eu me alimentar, ainda mais com todas as opções que existem por ai.
Mas enfim, além de tirar a carne do cardápio, tento só comprar frutas e verduras na Feira Orgânica da Redenção. Na medida do possível, claro, nem sempre dá pra radicalizar. Alguém já parou pra ler sobre o perigo dos agrotóxicos? Sabia que o Brasil é um dos países que mais utilizam agrotóxico na lavoura? Sabia que um brasileiro consome em média, 5l de agrotóxico por ano? Também tem milhares de sites denunciando isso, procura quem quer.
E agora, recentemente, comecei a ler sobre os Testes em Animais. Acontece que várias empresas realizam testes de sensibilidade, de toxidade, de colisão e outros milhares. Mas não precisam, não pra da comparar o efeito de um remédio em um coelho, e em um ser humano, oi? Ou alguém vai no veterinário quando precisa de uma receita? Nesses experimentos usam coelhos, macacos, cachorros, gatos, ratos e até animais maiores como vacas. Se tem tanta gente que se preocupa com animais abandonados, porque esse assunto é tão ignorado?
Encontrei essa lista nesse site. Achei muito útil, porque fica fácil de memorizar.
Fica a dica! ;)